Fórum Regional da Indústria discute futuro do CIPP e municípios próximos

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Ser referência nacional no desenvolvimento sustentável baseado no uso inteligente de suas vocações turísticas, industriais e logísticas, fortalecendo o encadeamento produtivo e a efetividade das políticas públicas é o que a região do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e municípios próximos querem ser até 2025.

Essa visão foi construída hoje, 2 de agosto, durante o Fórum Regional da Indústria, promovido pelo Núcleo de Economia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), em São Gonçalo do Amarante. Empresários de diversos segmentos econômicos, representantes de instituições de ensino e pesquisa e representantes do poder público da região participaram do evento. O objetivo é criar uma agenda de desenvolvimento para a região.

A partir das ações mapeadas nas Rotas Estratégicas Setoriais, o futuro de seis segmentos foram discutidos no evento: indústria agroalimentar; eletrometalmecânico; minerais não-metálicos; água; produtos de consumo (calçados e couro, e confecção) e logística. Ao levar em consideração a realidade local, os participantes priorizaram o que já foi mapeado pelas rotas, propuseram novas ações e apontaram diferentes entraves. Os temas apontados como mais relevantes foram: segurança pública, formação, qualificação, saúde e segurança do trabalho, parcerias, energia, logística de transportes, saneamento, tributação, combate à corrupção, gestão pública, licenciamento ambiental, política econômica e fiscal, sustentabilidade, gestão, inovação, tecnologia e produtividade

Entre as ações escolhidas como prioritárias e viáveis para alcançar a visão apontada pelos participantes, destacam-se: concluir obras do anel viário, fortalecer parcerias responsáveis pelo hub do Pecém, realizar parcerias para transferência de tecnologia, garantir conclusão da via sul da Transnordestina, mapear e divulgar potencialidades regionais , desenvolver estudos ciclo de vida de produtos, incentivar uso de energia renovável, aumentar eficiência energética, aproveitar posicionamento do estado para aumentar exportações, promover interação entre indústria, academia e PD&I, sensibilizar estudantes para o novo perfil profissional do mercado, iniciar inventário turístico do Ceará, fortalecer conselhos e fóruns da área turística, qualificar gestores do turismo, entre outras.

O gerente do Núcleo de Economia e Estratégia da FIEC, Guilherme Muchale, apresentou o Programa para Desenvolvimento da Indústria aos participantes e conduziu os trabalhos ao longo do dia. “Estamos aqui para prospectar futuro, mapear barreiras que dificultam o desenvolvimento do setor e apontar ações para chegarmos a visão que queremos da região”, destacou. O articulador da unidade setorial da indústria do Sebrae Ceará, Herbart dos Santos, salientou a importância do evento, não só para a indústria, mas para a economia local. O diretor executivo da Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (AECIPP), Ricardo Sabadia, reforçou a parceria entre FIEC e AECIPP e se colocou à disposição para estreitar ainda mais a relação entre as instituições pelo desenvolvimento do Ceará.

Parcerias pelo futuro
O diretor de turismo de Caucaia, Renan Costa de Souza, considera que uma proposta como a do fórum acrescenta na perspectiva que os municípios já trabalham mas integrando-os de forma mais eficiente a pensar no futuro. “Caucaia tem grande potencial e é um grande polo turístico do estado. É o portão de entrada pro litoral leste, onde encontramos várias outras cidades que tem o mesmo potencial. São 44km de orla com muitos atrativos comerciais e culturais com diversidade muito grande. Entretanto há problemáticas inerentes a uma cidade desse perfil, como o ordenamento de práticas de esporte, da aplicação direta pro desenvolvimento do turismo. Caso não houvesse instituições como FIEC e Sebrae atuando dessa forma os municípios estariam atuando isoladamente e não conseguiriam se integrar”, disse.

O empresário Carlos Júnior, da empresa Sítio Brasil, diz que a companhia acredita muito no Ceará, no povo cearense e na cultura cearense e por isso apoiam a construção de iniciativas que projetem o futuro. “Entendemos que o futuro é bem aí. O motivo de estarmos aqui é poder participar ativamente desse futuro. Temos na nossa política o conceito de sustentabilidade da cadeia produtiva. A Sítio Brasil se propõe a dar os braços e desenvolver fornecedores, cadeia logística, cadeia de vendas, parcerias entre indústrias. Se é pro futuro que estamos indo é hoje que temos que nos preparar”, analisa.

Informações econômicas e sociais 
A região cresceu 31,49% entre 2011 e 2015, ao tempo em que o Ceará cresceu 8% nesse período. A indústria participa com quase 32% do PIB da região, enquanto a participação em todo o estado é de 18%. Cerca de 34% (25 mil)  dos empregos da região são industriais. Mais de 90% dos estabelecimentos são micro e pequenos. Os setores econômicos mais importantes são couro e calçados, metalurgia e alimentos. Quanto ao comércio exterior, os principais parceiros comerciais são Estados Unidos, Turquia, México, Alemanha e Colômbia e os principais produtos exportados são semi faturados de ferro e aço e sumo de frutas. Os municípios que mais exportam são São Gonçalo, Itapipoca, Caucaia, Pentecoste e Paraipaba.

Programa para Desenvolvimento da Indústria
O evento é uma ação de regionalização do Programa para Desenvolvimento da Indústria e já foi realizado em Sobral, Cariri e Limoeiro do Norte. Lançado em 2015, o Programa objetiva contribuir com o crescimento de longo prazo, definindo as principais potencialidades do Estado e os respectivos caminhos para o melhor aproveitamento desses diferenciais, por meio de um debate articulado entre setor privado, poder público, academia e entidades de apoio, incentivando o fortalecimento da inovação e sustentabilidade no contexto empresarial.

A partir dessa estratégia de desenvolvimento se articulará uma atuação conjunta, fortalecendo as diversas contribuições dos agentes para o aumento da competitividade setorial, o crescimento de setores intensivos em tecnologia e conhecimento, bem como para a reorientação de setores tradicionais, induzindo um ambiente de negócios moderno e dinâmico como diferencial competitivo do Ceará.

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