quinta-feira, 4 de junho de 2026

Editorial – Tudo começa com o voto

Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo.
Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo.

Os brasileiros – que elegeram – nas eleições de 2020, os piores nomes, para representá-los na Câmara dos Deputados, voltarão às urnas, obrigatoriamente, nas eleições de outubro de 2026. 

Levados, pelas mentiras e pelos devaneios, que tomavam conta do país, naquele momento, por conta de um governo desvairado e inconsequente, os eleitores não atentaram, naquele outubro de 2020, para quem realmente estavam escolhendo.

Os eleitores foram às urnas, então, com o sentimento de que estavam, realmente, elegendo as pessoas certas, para os lugares certos, mas na verdade estavam elegendo pessoas erradas para os lugares errados.

A pesquisa Ipespe, divulgada, em 25 de setembro de 2025, apresentou péssimas notícias para a Câmara dos Deputados, que acumula desgaste. A desaprovação, no tocante ao trabalho da Casa, chegou a 70%, alta de sete pontos percentuais,  em relação a julho (63%), segundo a pesquisa Ipespe.

O cientista político Antonio Lavareda, responsável pelo levantamento, explicou que o movimento está associado ao motim, ocorrido no plenário, em agosto último, e à tramitação da PEC da Bandidagem. Pois é, deputados fazendo motim!

Por perfil ideológico, a desaprovação da Casa é de 83%, entre eleitores de esquerda, 73% entre os de centro e 58% entre os de direita. Pela autodeclaração de classe social, o índice chega a 78%, entre os mais ricos, 74% na classe média e 64% entre os mais pobres.

Essa questão toda começa com o eleitor, o qual tem um valor fixado, pela legislação eleitoral, quando cria fundos partidários e eleições, no valor de milhões de reais, para serem gastos em campanhas eleitorais. É comum ouvir-se, a respeito de valores milionários de campanhas, para vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e presidente da república.

Essa dinheirama toda não é gasta, somente em publicidade, logística, reuniões e mesas de conversas. Até porque há a figura poderosa do cabo eleitoral, que faz as vezes do candidato e, muitas vezes, nem comparece à localidade ou até à cidade, ou seja, as pessoas não sabem em quem estão votando e conhecem o candidato apenas pela fotografia.

Então, é chegada a hora de uma mudança radical e urgente na legislação eleitoral brasileira, começando por extinguir o voto obrigatório. Ressalte-se não ser admissível que, em pleno século XXI, o cidadão brasileiro ainda seja obrigado a votar. Isso é um atraso! 

O segundo ponto é eliminar os fundos partidários e políticos e que os representantes públicos, nos Poderes Legislativo e Executivo, sejam pessoas voluntárias, sem nenhum subsídio, mas apenas uma ajuda financeira para o pleno exercício do cargo. Do contrário, prosseguirá essa bagunça, uma política partidária brasileira.

Em outubro de 2026, obrigatoriamente, eleitores e eleitoras irão, novamente, às ruas a fim de eleger, obrigatoriamente, seus candidatos a vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e presidente da república, todos – acrescente-se – por livre e espontânea pressão e por uma legislação corrupta na acepção da palavra.

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