segunda-feira, 20 de julho de 2026

Voltemos à política e aos dias duros de embate; é um campo para se jogar, não para se pastar

A Democracia não se constrói como se deformou o futebol. Foto:
A Democracia não se constrói como se deformou o futebol. Foto:

 

Por Roberto Maciel

Acaba hoje, com as marcas oportunistas e autoritárias do governo do aventureiro, mitomaníaco e ludopata Donald Trump, a 23ª edição da Copa do Mundo de Futebol da Fifa – a confederação que concentra entidades de futebol de 211 países. É a primeira vez desde 1930 que a competição é disputada em três países – EUA, México e Canadá – e reúne 48 equipes.

Não deve ser moleza realizar evento de tamanha magnitude: de um lado um governante de caráter duvidoso, dado a mentir, a querer tomar posse de coisas alheias e a enriquecer rapidamente e sem respeitar regras; do outro, gestores de associações esportivas que movimentam bilhões de euros anualmente; e, de um terceiro tempo, donos de cassinos on line que estão enchendo as burras de dinheiro com apostadores tolos, doentes e dispostos e torrar até o dinheiro da comida dos filhos em arriscados palpites.

Escalar daí uma seleção de mafiosos tão diversos, instáveis, psicopatas e perigosos também não há de ser tarefa simples diante de tantas opções.

Argentina e Espanha disputam a partida final na tarde deste domingo.

Deixaram para o passado e relegados ao esquecimento times com os do Brasil, da Alemanha e da Holanda – todos patéticos e devidamente abatidos pela força e pela estratégia de adversários que, até poucos anos atrás, não eram julgados como muito ofensivos.

 

 

Ok, ok. Acabou o vaivém da bola. Volta ao campo agora, para os brasileiros, a nossa bienal discussão pelo poder. Observemos com atenção quem tem inteligência, capacidade técnica, mobilidade e credibilidade para movimentar parceiros aqui, ali e alhures. Quem pode e merece ser escalado para compor com a torcida, essa vasta e heterogênea massa colorida, o talento de sonhar e fazer.

Não cabe apenas acreditar, mas participar. Democracia se constrói dessa forma: ninguém é herói de última hora, ninguém entra no jogo só para bater um pênalti ou cavar expulsão de adversários.

O campo é para se jogar, não para se pastar.

 

Roberto Maciel, Jornalista e produtor cultural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *