terça-feira, 21 de julho de 2026

Ex-governador do Rio acusa Castro e Bacellar de comandarem grupos criminosos no Estado

O ex-governador Antony Garotinho, o presidente da CPI, Fabiano Contarato, e o relator, Alessandro Vieira - Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O ex-governador Antony Garotinho, o presidente da CPI, Fabiano Contarato, e o relator, Alessandro Vieira - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

 

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, acusou o atual mandatário, Cláudio Castro, e o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Segundo ele, os dois comandam grupos criminosos no estado. Tais declarações ocorreram à CPI do Crime Organizado nesta terça-feira (16 de dezembro). Coincidentemente, a Polícia Federal cumpriu mandados contra Bacellar no mesmo dia.

“Montaram, na verdade, duas organizações criminosas. Uma se instalou na Assembleia Legislativa e a outra, consequentemente, no governo”, afirmou.

Conforme Garotinho, o esquema envolve desvio sistemático de recursos públicos. Ele citou fraudes em contratos de secretarias e mecanismos como incentivos fiscais e negócios regulados pelo governo.

Em seguida, o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), questionou Garotinho sobre a estrutura das organizações. Garotinho, então, apontou Bacellar como o chefe do grupo na Alerj. Castro, por sua vez, seria o líder no Executivo. Abaixo deles, ele citou deputados estaduais que integram a “tropa do Bacellar”. No governo, haveria um núcleo apelidado de “turma do charuto”, formado por secretários e aliados.

O ex-governador afirmou, ainda, que a falta de experiência de Castro levou à terceirização do poder. Dessa forma, cada secretaria se transformou em um “feudo”. Este feudo visava a obtenção de lucro para grupos específicos.

Adicionalmente, Garotinho mencionou uma lista de 47 deputados estaduais que receberiam mesadas. Ele garantiu que essa informação estaria registrada em três celulares. Os aparelhos foram apreendidos na casa de Rui Bulhões, chefe de gabinete do presidente afastado da Alerj. Bulhões foi, portanto, um dos alvos de busca e apreensão na segunda etapa da Operação Unha e Carne, nesta terça.

Captura de Dinheiro, Propina e Comparação com Cabral

Garotinho detalhou, também, a “captura do dinheiro”. Ele afirmou que a arrecadação ilegal não ocorre prioritariamente por emendas parlamentares. Em vez disso, ela ocede por fraudes em contratos públicos. Ele citou, além disso, incentivos fiscais e autorizações administrativas. Segundo ele, tais benefícios só seriam concedidos mediante pagamento de propina.

“O cara quer botar gás no posto de gasolina, por exemplo. Ele tem que pagar R$ 500 mil. Se não pagar, não autorizam, não há licença para botar”, afirmou.

No Executivo estadual, Garotinho afirmou que o esquema envolve secretarias e grandes negócios. As áreas de energia, combustíveis e incentivos fiscais são as principais. Assim, ele comparou a situação ao governo Sérgio Cabral. Ele disse que, em proporção, os desvios seriam tão graves quanto, ou até piores. Cabral cumpriu pena por um esquema de propina milionário.

“Eles só não estão roubando mais do que o Cabral porque, na época do Cabral, havia a Copa do Mundo, a Olimpíada e muitas obras do PAC. Mas, em proporção, é uma coisa impressionante. Se houver uma investigação séria, vai faltar cadeia para autoridade”, disse.

Ligações com o Comando Vermelho

O ex-governador citou, por fim, episódios que mostrariam ligações entre agentes públicos e criminosos. Ele mencionou a ordem do Comando Vermelho para “segurar sete dias sem guerras e roubos” durante a reunião do G20 no Rio, em fevereiro do ano passado. Anthony Garotinho também denunciou irregularidades na administração penitenciária. Ele classificou os presídios como “escritórios do Comando Vermelho”.

Para finalizar, Garotinho afirmou que a facção cresceu nos últimos anos, durante a gestão Castro.

“Esses fatos me levaram a uma convicção: havia um acordo claro entre as autoridades estaduais e o Comando Vermelho. Aí eu quis traduzir isso em número. E, pasmem os senhores, o Comando Vermelho, além de recuperar todas as áreas que havia perdido, também conquistou áreas da milícia. Jacarepaguá, por exemplo, era totalmente dominada pela milícia. Hoje, porém, você tem metade milícia, metade Comando Vermelho, em combates sangrentos”, concluiu. Fonte: Agência Senado.

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