Neste 8 de Março – Dia Internacional de Luta das Mulheres, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e sua Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas reafirmam o compromisso inabalável com a defesa da vida, da democracia e dos direitos femininos.
Priorizamos, neste momento, a análise crítica sobre a realidade enfrentada pelas jornalistas no Brasil.
Infelizmente, a violência contra as mulheres persiste como um problema estrutural e devastador em nosso país. De acordo com os dados, o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o que representa o assassinato de mais de quatro mulheres por dia.
Além disso, o país contabilizou mais de 83 mil casos de estupro no mesmo período — uma ocorrência a cada seis minutos. Tais estatísticas evidenciam, portanto, uma realidade sufocada pela desigualdade, pela impunidade e pela naturalização da violência de gênero.
Essa violência atravessa todas as esferas sociais, mas atinge com intensidade brutal as mulheres que ocupam o espaço público, incluindo as jornalistas.
Ao exercerem suas funções, especialmente em coberturas de política, direitos humanos e conflitos, essas profissionais tornam-se alvos preferenciais de grupos que buscam a intimidação e o silenciamento.
Desafios estruturais e a luta contra o silenciamento
Para compreender a gravidade do cenário, basta observar os dados da pesquisa “Situação das Trabalhadoras da Imprensa na América Latina e no Caribe – 2023”. O levantamento revela que:
“65% das jornalistas brasileiras já sofreram violência de gênero; 47% foram alvo de ataques online; 48% relatam desigualdade salarial; 62% acumulam mais de um emprego; e apenas 22% contam com protocolos institucionais de proteção.”
Consequentemente, a violência digital — impulsionada por modelos de negócio que lucram com o ódio — gera efeitos concretos, como a autocensura e o adoecimento mental. Entendemos, portanto, que essa não é uma violência isolada, mas sim uma estratégia deliberada que ameaça a própria democracia.
Somado a isso, a precarização do trabalho agrava drasticamente esse contexto. A expansão da “pejotização” fragiliza direitos históricos e atinge as mulheres com mais dureza, pois amplia a instabilidade financeira e dificulta as denúncias de abuso.
Diante desse panorama, a FENAJ defende que a organização coletiva das mulheres jornalistas é o único caminho fundamental. Precisamos fortalecer urgentemente as comissões de mulheres nos sindicatos e ampliar a ocupação feminina nos espaços de decisão.
Dessa forma, transformamos a presença sindical em uma estratégia de enfrentamento à precarização.
Afinal, não existe imprensa livre enquanto o sistema mata, violenta ou silencia as mulheres.
Neste 8 de Março, a FENAJ convoca a categoria a lutar por:
Equiparação salarial e combate imediato à precarização;
Enfrentamento à “pejotização” e à retirada de direitos;
Criação de protocolos efetivos de prevenção à violência de gênero nas empresas;
Fim do assédio no ambiente de trabalho e da violência no exercício profissional;
Responsabilização rigorosa de agressores e das plataformas digitais;
Proteção específica para profissionais que cobrem temas sensíveis e grupos extremistas.
Lutar como uma jornalista é, acima de tudo, defender a democracia. Garantir condições dignas e seguras para as mulheres é salvaguardar o direito da sociedade à informação.
Brasília, 6 de março de 2026
Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ







