domingo, 19 de julho de 2026

Organizações denunciam à ONU fome e violação de direitos em presídios brasileiros 

Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ
Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ

O Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), em conjunto com outras organizações, encaminhou recentemente ao Comitê contra a Tortura da Organização das Nações Unidas (CAT/ONU) dois documentos contendo denúncias graves.

Em síntese, os relatórios abordam a insegurança alimentar nas prisões — a denominada “pena de fome” — e irregularidades estruturais nas audiências de custódia. Segundo as entidades, tais ocorrências configuram violações severas de direitos humanos no sistema de justiça criminal brasileiro.

Nesse contexto, o Comitê da ONU realizará, ainda este ano, uma visita técnica ao Brasil para avaliar o cumprimento da Convenção contra a Tortura, em vigor no país desde 1991. Vale ressaltar que, antes e durante a missão, o grupo receberá contribuições da sociedade civil para, posteriormente, elaborar um relatório com recomendações ao governo.

Portanto, o envio do material em janeiro teve como objetivo estratégico subsidiar a formulação dessas diretrizes.

Irregularidades nas Audiências de Custódia

O primeiro documento, elaborado em parceria com a APT e o MNPCT, analisou falhas na apuração de tortura durante audiências de custódia. Com base em dados da pesquisa Direito sob Custódia (2025), o relatório aponta que o respeito aos direitos da pessoa custodiada foi 17,5% maior em audiências presenciais.

Ainda assim, a modalidade virtual segue predominante, visto que, em 2024, apenas 26% das audiências no país ocorreram de forma presencial.

Além disso, o relatório evidencia uma alarmante subnotificação da violência policial. Embora 19,3% das pessoas tenham relatado agressões, apenas 5,5% desses relatos foram oficialmente registrados em ata.

Ademais, mesmo quando há o registro, mais de um quarto dos casos não resulta em qualquer encaminhamento para investigação, o que perpetua o ciclo de impunidade.

A “Pena de Fome” e a Terceirização

Paralelamente, o segundo documento enviado à ONU detalha a precariedade da alimentação nas prisões, atualizando denúncias de 2023 com inspeções realizadas em 2025. De acordo com o IDDD, a “pena de fome” tornou-se uma prática estatal sistemática, caracterizada por jejuns de até 18 horas e racionamento de água.

Outro ponto crítico destacado é o avanço da terceirização, que já atinge cerca de 60% dos estabelecimentos prisionais. Nesse cenário, as refeições frequentemente chegam frias e com baixa qualidade sanitária, transformando um direito básico em um serviço orientado por interesses econômicos.

Em decorrência disso, as organizações incluíram recomendações urgentes, tais como:

  • A proibição imediata do racionamento de água;

  • A realização de avaliações nutricionais periódicas;

  • A vedação expressa do uso da fome como forma de punição.

Por fim, o IDDD reforça que as críticas à virtualização das audiências ecoam preocupações já expressas pelo próprio CAT em 2023, reiterando a necessidade de que essa prática seja revista para garantir a integridade física dos detidos. Fonte: Agência Brasil 

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