domingo, 19 de julho de 2026

Os 39 anos de fundação da Sala Memória do Instituto Federal do Amazonas

Legenda: A foto da inauguração da Sala Memória: ex-diretor Waldir Garcia, Moacir Andrade, Ricardo Ruiz e o ex-diretor Hildemar Paes Barbosa - Foto: Arquivo/Ricardo Ruiz.
Legenda: A foto da inauguração da Sala Memória: ex-diretor Waldir Garcia, Moacir Andrade, Ricardo Ruiz e o ex-diretor Hildemar Paes Barbosa - Foto: Arquivo/Ricardo Ruiz.
Por Ricardo Oliveira Ruiz*, especial para o Ceará Leste

Em 1º de outubro pretérito ocorreu à efeméride dos 39 anos de fundação da “Sala Memória” do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), quando sua inauguração se deu por ocasião do 76º  aniversário de instalação dessa instituição. A gênese da “Sala Memória” tem a chancela do diretor Jorge Humberto Barreto (1976-1991).
 
Designado pelo diretor para colocar em prática o projeto, o professor Albertino Augusto da Cruz nos convidou, quando integrávamos o quadro de servidores da então Escola Técnica Federal do Amazonas, para organizar essa Sala Memória. Por óbvio, a Sala Memória visava à preservação da memória e da história desta centenária instituição federal de ensino. Cumpri com o prazo de concluir o trabalho em dois anos.
 
De pronto, aceitei o desafio, incomensurável, embora não possuísse credenciais específicas para organizar um equipamento cultural. Recebi a valiosa colaboração do professor Agesilau Libório dos Santos e do ex-aluno da então Escola de Aprendizes Artífices, Idelfonso Olindo dos Santos.
 
Contudo, o sucesso desse desiderato foi consubstanciado com a colaboração dos segmentos da instituição (inclusos ex-professores, ex-técnico-administrativos, ex-diretores e ex-alunos). As mesas expositoras foram confeccionadas no setor de marcenaria da instituição. Realizamos inúmeras visitas e entrevistas.
 
O trabalho foi dividido na organização da Galeria dos Diretores, vinte até então, e na coleta de fotografias, documentos institucionais, diplomas, certificados, honrarias, convites, manuais, cadernetas, cartilhas, placas, calendários e objetos que se relacionassem com a instituição. A reprodução de fotografias ficou a cargo da empresa A Favorita, de propriedade de Camilo Cuadal.
 
Registre-se que, o IFAM nasceu como nome de Escola de Aprendizes Artífices (1909), seguido de Lyceu Industrial de Manaus (1937), Escola Técnica de Manaus (1942), Escola Técnica Federal do Amazonas (1965) e Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas (2001), com sedes no bairro Cachoeirinha (chácara, Casa de Detenção e Mercado Municipal) e no atual endereço do Campus Manaus Centro.
 
O lado difícil do trabalho foi encontrar dados pessoais e uma fotografia de ex-diretores falecidos e dos que fixaram residência em outros Estados da federação. Entretanto, o amigo servidor Enos nos forneceu relevantes informações sobre o possível paradeiro de alguns ex-diretores.
 
A rigor, consegui encontrar parentes de ex-diretores através de cartas que foram endereçados a vários Estados do país (mais de 100). O trabalho se deu na consulta a catálogos telefônicos da empresa do Estado (Telamazon), de anotar todos os endereços que continham o sobrenome de um determinado ex-diretor.
 
Destarte, consegui localizar o ex-diretor Hildemar Paes Barbosa, na capital do Rio de Janeiro, quando o visitei. A fotografia do ex-diretor Esmeraldo Américo Coelho foi obtida através de uma foto sua existente no jazigo do Cemitério São João Batista.
 
Ressalte-se que, o trabalho hercúleo se deu para encontrar informações sobre o ex-diretor, jornalista, político, escritor e fundador da Academia Amazonense de Letras, Generino Gonzaga Maciel. Nem mesmo pessoas importantes do contexto cultural de Manaus sabiam informar sobre esse ex-diretor.
 
Todavia, próximo da data de inauguração da Sala Memória, recebi uma missiva oriunda da Paraíba. Um médico que tinha tão-somente o sobrenome Maciel nos informava conhecer parentes do ex-diretor Generino Maciel, passando-nos o contato dessas pessoas.
 
Consoante o Ministério da Educação, são 233 equipamentos culturais ligados às instituições federais de ensino (universidades, institutos federais, centros federais, escolas técnicas vinculadas às universidades federais e o Colégio Pedro II).

No âmbito da Rede Federal de Educação Tecnológica, são 20 equipamentos culturais ligados a 12 Institutos Federais (Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e Santa Catarina) e ao Colégio Pedro II, dos quais,8 são ligados à memória e a história da instituição.
 
O Colégio Pedro II foi o pioneiro na criação de um equipamento cultural para preservar à sua memória e à sua história quando instituiu o seu Museu Histórico, em 1979, seguido da Escola Técnica Federal do Amazonas com a Sala Memória, em 1986.
Como o meu nome não foi citado por ocasião dos discursos protocolares de inauguração da Sala Memória, o professor, artista plástico, escritor e ex-aluno Moacir Couto de Andrade pediu que eu ficasse ao seu lado. No seu discurso, quando facultada a palavra aos convidados, Moacir Andrade, gentil com a nossa pessoa, emocionado, destacou:
 
“A Sala Memória é fruto do trabalho desse jovem de 29 anos, Ricardo Oliveira Ruiz, que mesmo não tendo credenciais específicas de museólogo, historiador, pesquisador, curador e gestor cultural conseguiu organizar esse belíssimo trabalho de preservação da memória e da história da Escola Técnica Federal do Amazonas”.
 
A inauguração da Sala Memória constituiu-se num evento ímpar no âmbito do MEC, tendo contado com a presença dos ex-diretores Hildemar Paes Barbosa, Waldir Garcia, José Ribamar Costa e Lupercino de Sá Nogueira Filho, da comunidade educacional, de destacadas autoridades do Estado e de órgãos da imprensa manauara.
 
Importa salientar que, em 1994, ato institucional da Escola Técnica Federal do Amazonas instituiu o Museu Moacir Andrade quando a Sala Memória foi incorporada a esse equipamento cultural.
 
Consigne-se, a nosso juízo, que a Sala Memória é que deveria mudar de nome para Museu do IFAM, a ser constituído com uma área (galeria ou sala) que fosse dedicada ao ex-aluno Moacir Andrade.

*Ricardo Oliveira Ruiz, filho da floresta nascido em Manaus/AM, é professor aposentado do Instituto Federal do Ceará e colaborador do Ceará Leste.

Uma resposta

  1. UM BELO TRABALHO REALIZADO POR ESSE AMIGO QUERIDO, RICARDO RUIZ. EU LABORO NO INSTITUTO FEDERAL DO AMAZONAS, DESDE 1989. VEZ OU OUTRA DOU UMA PASSADA NA SALA MEMÓRIA, PARA MATAR A SAUDADE DAQUELES QUE JÁ SE FORAM PARA OUTRO PLANO.
    PARABENIZO-O PELA ÁRDUA MISSÃO QUE CUMPRISTE COM MUITO ZELO E PERFEIÇÃO. ÉS UMA FIGURA IMPOLUTA E SAPIENTE.

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