sábado, 25 de julho de 2026

Por que Flávio Bolsonaro mente tanto?

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

 

Por Roberto Maciel*

 

– A pergunta que encima esta Coluna não é retórica. Não visa a florear o texto ou a constranger quem, mesmo a achando indevida, não tem como respondê-la. O que a move é a repetida (e cansativa) fila de episódios em que se flagrou o senador do PL do Rio de Janeiro, candidato a presidente da República, torturando a verdade.

O mais recente, por enquanto, é o em que espalhou mentiras contra as urnas eletrônicas e a confiabilidade das eleições no Brasil. Assim como o pai, Flávio se reuniu com embaixadores e serviu a eles um aperitivo de fake news que, no mínimo, corrói a credibilidade do sistema. Flávio Bolsonaro não mente à toa.

Os falseamentos são uma estratégia com dois objetivos. O primeiro é o de aleijar elementos fundamentais à Democracia. O segundo é o de posar de vítima caso seja punido pelo que cometeu. E há, ainda, o óbvio propósito de disseminar desinformações e de fazer repercutirem as inverdades. Depois de disparada, uma mentira não para de se reproduzir. E esse baú vira um arsenal para quem não tem propostas. A Justiça que se atine: não agir agora é entregar ao mentiroso um salvo-conduto.

 

 

Eu já escuto os teus sinais

Que ninguém negue que o Ceará corre o risco de ser varrido por um tsunami de mentiras como as de Flávio Bolsonaro. Há indicações nítidas de que o jogo não será limpo.

O deputado André Fernandes, por exemplo, já espalhou lixo na porta da Prefeitura de Fortaleza e até fraudou vídeo em comunidade de Morada Nova. É a lei do “Quanto mais terror melhor”.

 

Para alguns, mentir é oxigênio

Ciro Gomes (PSDB), anunciado candidato a governador do Ceará, não se avexa em acusar a existência da prática em Sobral, berço político dele: “(O Becco do Cotovelo) era como se fosse isso: um centro onde os fofoqueiros se reuniam”. Resumiu o local, referência social e cultural da cidade, a um ninho de fake news. Ele que se entenda com os sobralenses.

 

Para se ter ideia do nível

 

 

Contava-se no Becco do Cotovelo que dois imensos mentirosos iam de jipe para Fortaleza. Seguiam pela BR-222 a quase 80 quilômetros por hora.

Já chegando em Caucaia, mesmo cansado, o passageiro gritou: “Para, para, para!” O outro meteu o pé no freio e, 300 metros depois, já parado, perguntou agoniado: “O que foi?” O primeiro respondeu: “É que eu vi uma agulha no asfalto!” O motorista não ficou atrás: “Presta não: tá com o fundo quebrado…”

 

Rabo de arraia

A Capoeira, arte marcial e expressão cultural de raiz africana, já tem um dia pra chamar de seu no Brasil. É 15 de julho. O Senado aprovou matéria e o presidente Lula (PT) a sancionou.

Curiosidades: 1. o projeto tramitou no Congresso por longos e penosos 16 anos – nesse período o Brasil teve quatro presidentes e dois golpes (o primeiro, parlamentar, em 2016, com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff; o segundo, liderado por Jair Bolsonaro em 2023 e frustrado pela lei); 2. Sugeriram-se duas datas para a homenagem.

 

 

Ajeitando o berimbau

Quando houve a primeira votação do Dia da Capoeira, na Câmara federal, a data escolhida havia sido 20 de novembro – o Dia da Consciência Negra e da morte do líder Zumbi dos Palmares.

Mas a data se tornaria feriado nacional em 2023. Por isso, o Senado aprovou emenda mudando o dia para 15 de julho. O texto original é de Márcio Marinho (hoje no Republicanos da Bahia).

 

“Erosão gradual”

Alerta sério e que deve ser anotado pela sociedade: a Democracia está sendo vítima de uma erosão gradual, “capaz de preservar a aparência das instituições enquanto enfraquece seus fundamentos”.

Quem avalia é o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Ele completa: “A democracia pode morrer sem que se anuncie oficialmente sua morte”.

 

 

É só reparar

O ministro Edson Fachin não cita nomes, mas é possível apontar personagens como Donald Trump, Javier Milei, a família Bolsonaro, Daniel Ortega e Nayib Bukele como interessados em violar os princípios democráticos – todos, aliás, já reincidentes na ação lesa-humanidade. Da falta de sinais ninguém pode reclamar.

 


*Roberto Maciel, Jornalista e produtor cultural.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *