Delação de Vorcaro está sob análise
Notavelmente, a operação ocorre na mesma semana em que a defesa de Daniel Vorcaro entregou uma proposta de acordo de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
No entanto, os investigadores ainda analisam o material. Vale ressaltar que, nesta etapa, a proposta carece de valor probatório.
As informações apuradas indicam que a nova fase da operação não possui relação direta com os fatos que a defesa apresentou na proposta de delação.
Investigação começou após pedido do MPF
As investigações que originaram a Operação Compliance Zero começaram em 2024, logo após o Ministério Público Federal (MPF) requisitar a abertura do inquérito.
Atualmente, a PF apura se uma instituição financeira fabricou carteiras de crédito insubsistentes. Ao que tudo indica, o banco comercializou e vendeu esses títulos a outra instituição.
Posteriormente, após uma fiscalização do Banco Central, os responsáveis teriam substituído os ativos originais por outros sem qualquer avaliação técnica adequada.
A operação combate a emissão de títulos de crédito falsos dentro do Sistema Financeiro Nacional. Entre os alvos, os policiais investigam crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Primeira fase teve prisões e apreensão de avião
Na primeira fase da Compliance Zero, a PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão.
Os agentes aplicaram medidas cautelares em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
De acordo com o balanço oficial, as apreensões somam cerca de R$ 230,13 milhões.
Nesse contexto, o item de maior valor foi um avião avaliado em R$ 200 milhões, que os investigadores atribuem ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A polícia apreendeu a aeronave de luxo no pátio do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Inclusive, a investigação revelou que esse mesmo avião levaria Vorcaro a Dubai antes de a PF efetuar sua prisão.
O banqueiro foi detido no aeroporto um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Embora a defesa alegue que ele viajaria a negócios, o Grupo Fictor suspendeu a compra do banco com o avanço do caso.
Quarta fase prendeu ex-presidente do BRB
Já na quarta fase, deflagrada em 16 de abril, a PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB).
Esta etapa rastreou suspeitas de lavagem de dinheiro para o pagamento de propinas a agentes públicos.
Logo após a prisão, Costa também decidiu buscar um acordo de delação premiada.
Nova fase chega ao núcleo político
Finalmente, a 5ª fase marca a expansão das investigações em direção ao núcleo político.
O principal alvo conhecido até agora é Ciro Nogueira, senador pelo Piauí e presidente nacional do Progressistas.
Como o caso envolve um parlamentar com foro privilegiado, o STF autorizou a operação. Até o momento, as autoridades não apresentaram denúncia formal contra o senador.







