O Núcleo Local da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), sediado em Pindoretama, emitiu um alerta epidemiológico urgente para criadores de animais de produção e autoridades da Região Metropolitana.
A medida decorre da confirmação de dois casos de raiva dos herbívoros no município vizinho de Cascavel.
O órgão reforça que a vacinação anual de bovinos, ovinos, caprinos, equinos, asininos e muares é a única barreira capaz de conter o avanço da doença.
Os casos identificados em 2026 ocorreram de forma consecutiva nas localidades de Brito, em março, e Oiticica, em abril, ambas situadas em Cascavel.
Portanto, a proximidade geográfica eleva o risco de dispersão do vírus para as propriedades vizinhas.
Segundo a médica veterinária e auditora fiscal da Adagri na região, Ana Gláucia Gonçalves, a negligência com o calendário vacinal favorece prejuízos socioeconômicos severos, além de representar uma ameaça real à saúde pública e à economia rural.
O impacto da doença e o vetor transmissor
A raiva é uma infecção viral altamente letal que ataca diretamente o sistema nervoso central dos mamíferos.
Na zona rural, o vírus circula de maneira livre através da mordedura do morcego hematófago (Desmodus rotundus), o principal vetor transmissor da enfermidade.
Sem a imunização do rebanho, a taxa de letalidade atinge o índice de 100% dos animais infectados assim que os primeiros sintomas se manifestam.
Nos herbívoros, a doença frequentemente assume a forma de raiva paralítica. Da mesma forma, os produtores devem ficar atentos aos sinais clínicos característicos, que evoluem de forma rápida para o óbito do animal, como o andar cambaleante, a salivação excessiva, a paralisia progressiva e os movimentos involuntários de pedalagem.
Abrangência regional e dados do rebanho
O escritório da Adagri em Pindoretama possui um raio de atuação estratégica que monitora quatro municípios da faixa litorânea e metropolitana.
Atualmente, o contingente de bovinos sob supervisão direta do núcleo está distribuído de forma expressiva pela região, somando 8.803 animais em Aquiraz, 6.956 cabeças em Cascavel — que é o foco dos casos atuais —, 3.367 em Pindoretama e 656 animais no Eusébio.
Posteriormente ao registro dos focos, as equipes de defesa agropecuária intensificaram as vistorias em abrigos de morcegos na região para realizar o controle populacional do vetor.
Os pecuaristas que identificarem marcas de mordeduras ou sintomas suspeitos em seus plantéis devem notificar imediatamente o escritório local da Adagri para receber orientação técnica e proceder com a imunização imediata.
Transmissão
A transmissão ocorre em bovinos, equinos, ovinos, caprinos e suínos, principalmente pela mordida do morcego hematófago com o vírus da raiva, que se alimenta de sangue.
Esses morcegos vivem em cavernas, furnas, bueiros e casas abandonadas, sendo o principal transmissor da raiva dos herbívoros.
Os sinais
A veterinária aponta quatro sinais mais comuns nas suspeitas: paralisia dos membros posteriores, cabeça voltada para trás, movimento de pedalagem e mordeduras do morcego.
Prevenção
O folheto da Adagri aponta cinco ações preventivas:
- Vacinar, anualmente, os animais;
- Usar pasta vampiricida nas mordeduras dos animais;
- Evitar contato com animais suspeitos;
- Nunca tentar desengasgar animais, eles podem estar contaminados;
- Nunca capturar ou tentar matar morcego.
Reunião
A Médica Veterinária Ana Gláucia Gonçalves terá uma reunião com a prefeita de Cascavel na tarde desta quarta-feira, com objetivo de solicitar à chefe do Poder Executivo municipal, uma campanha de vacinação do rebanho do município e apoio do município quanto a divulgação em prol da prevenção contra a raiva dos herbívoros.
Ela pretende conversar também com os demais prefeitos da região metropolitana da qual é a responsável.
Notificação
O criador ou as autoridades locais devem notificar imediatamente a Adagri ou órgãos parceiros como a Ematerce, secretarias municipais e sindicatos dos trabalhadores e patronais.
Atualmente, o contingente de bovinos sob supervisão direta do núcleo está distribuído de forma expressiva pela região, somando 8.803 animais em Aquiraz, 6.956 cabeças em Cascavel — que é o foco dos casos atuais —, 3.367 em Pindoretama e 656 animais no Eusébio. O rebanho nos quatro municípios soma 19.782 animais.









