O Senado Federal promoveu, nesta terça-feira (28/4), uma audiência pública para debater os intensos processos de degradação da Caatinga.
O debate focou nos impactos do desmatamento, das queimadas e da expansão agropecuária predatória. Nesse sentido, as comissões de Meio Ambiente (CMA) e de Educação (CE) articularam o encontro em conjunto com a Câmara dos Deputados.
Dessa forma, o Legislativo busca priorizar o bioma nas políticas públicas de conservação e recuperação em 2026.
Mudanças climáticas e a caatinga como sumidouro de carbono
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, manifestou profunda preocupação com os efeitos climáticos sobre o semiárido nas próximas décadas.
Segundo o ministro, a região enfrenta um aumento acelerado da desertificação e dificuldades persistentes na redução do desmatamento.
Portanto, estudos recentes surpreenderam ao apontar a Caatinga como um eficiente sumidouro de carbono, mesmo durante períodos críticos de estiagem.
Inclusive, essa vitalidade excepcional reforça a necessidade de colocar o bioma no centro das atenções governamentais.
Além disso, Capobianco ressaltou que apenas quem nunca conviveu com o bioma desconsidera sua relevância para a regulação climática do país.
A integração entre homem e natureza na região exige articulações urgentes entre todos os Poderes da República.
A resiliência da vegetação nativa deve servir de base para novas estratégias de desenvolvimento sustentável. Assim sendo, a proteção da Caatinga deixa de ser uma pauta regional para se tornar uma prioridade de segurança ambiental nacional.
Simbolismo do dia nacional e resiliência sertaneja
A senadora Teresa Leitão destacou que o debate ocorreu em uma data simbólica: o Dia Nacional do Bioma Caatinga. De fato, a parlamentar vinculou a preservação da vegetação ao modo de vida e à história das populações sertanejas.
Vale ressaltar que a flora local desenvolveu estratégias únicas de resistência à escassez hídrica, alternando ciclos de seca e regeneração.
Afinal, o bioma ocupa 11% do território brasileiro e abriga uma biodiversidade adaptada a condições climáticas extremas.
Recursos hídricos e urgência legislativa
Quanto à segurança hídrica, o diretor do Instituto Escolhas, Sérgio Leitão, alertou que grandes cidades nordestinas dependem diretamente da água oriunda do sertão.
Nesse contexto, frear o desmatamento é fundamental para garantir o abastecimento humano e o equilíbrio econômico da região.
O especialista cobrou celeridade na aprovação do PL 1.990/2024, que institui a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga. Inclusive, o texto aguarda revisão na CMA após ter recebido o aval da Câmara dos Deputados.
A audiência pública serviu para retirar a Caatinga de um histórico de negligência institucional. Nessa linha, a aprovação de mecanismos legais de conservação protegerá tanto as espécies nativas quanto o contingente populacional da região.
A recuperação das áreas degradadas evitará o avanço da desertificação e garantirá a sobrevivência do ecossistema a longo prazo.
O Senado encerra o debate com o compromisso de fortalecer as leis que amparam este bioma único e vital para o Brasil. Fonte: Agência Senado.







