terça-feira, 21 de julho de 2026

Ceará reduz em cerca de 13% o número de mortes por AIDS 

Legenda: Avanços são resultados da ampliação da testagem e oferta de tratamentos mais modernos no SUS - Foto: Andre Borges/Agência Brasília
Legenda: Avanços são resultados da ampliação da testagem e oferta de tratamentos mais modernos no SUS - Foto: Andre Borges/Agência Brasília

 

O Ceará registrou uma redução significativa nas mortes por aids entre 2023 e 2024. Especificamente, o número de óbitos no estado caiu de 301 para 262, o que representa uma diminuição de 12,9%.

Além do mais, essa tendência acompanha o cenário nacional. Analogamente, o Brasil também reduziu em 13% os óbitos por aids no mesmo período, passando de mais de 10 mil para 9,1 mil. Dessa forma, e de acordo com o novo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, percebe-se que este é o menor número em três décadas.

Tratamento e Prevenção

Esses dados positivos, portanto, refletem os avanços na prevenção e diagnóstico. Mais importante ainda, eles demonstram o sucesso do acesso gratuito do SUS a terapias de ponta. Com efeito, tais tratamentos são capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível.

Além disso, essa combinação de estratégias também levou à eliminação da transmissão vertical da doença como problema de saúde pública. Em outras palavras, isso ocorre quando o vírus é transmitido da mãe para o bebê.

“Hoje é um dia de luta, mas também de conquista histórica: alcançamos o menor número de mortes por aids em 32 anos. Esse resultado só foi possível porque o SUS oferece gratuitamente as tecnologias mais modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento.” – Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Panorama de Casos

Com relação aos casos gerais, os casos de aids no Brasil também diminuíram no período, com uma queda de 1,5%. Assim, o total passou de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil no último ano. Especificamente, em 2024, o Ceará registrou 1.704 novos casos de aids.

No componente materno-infantil, por outro lado, o país viu uma queda de 7,9% nos casos de gestantes com HIV (totalizando 7,5 mil). Adicionalmente, houve uma redução de 4,2% no número de crianças expostas ao vírus (6,8 mil). Como resultado, o início tardio da profilaxia neonatal caiu 54%, o que indica uma melhora significativa na atenção ofertada durante o pré-natal e nas maternidades.

Eliminação da Transmissão Vertical

A eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública foi, de fato, alcançada. Isto é evidente porque o Brasil manteve a taxa de transmissão vertical abaixo de 2% e a incidência da infecção em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos.

O país, além disso, atingiu uma cobertura superior a 95% no pré-natal, na testagem para HIV e na oferta de tratamento às gestantes que vivem com o vírus. Consequentemente, o país interrompeu, de forma sustentada, a infecção de bebês. Essa interrupção se aplica durante a gestação, o parto ou a amamentação. Portanto, o Brasil atingiu integralmente as metas internacionais, alinhando-se aos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, em 2024, o Brasil contabilizou 68,4 mil pessoas vivendo com HIV ou aids, embora mantendo a estabilidade observada nos últimos anos. No Ceará, foram 2.884 registros.

Ampliação do Acesso: Prevenção, Diagnóstico e Tratamento

O Brasil adota a Estratégia de Prevenção Combinada. Essencialmente, essa abordagem reúne diferentes métodos para reduzir o risco de infecção pelo HIV. Enquanto inicialmente centrada na distribuição de preservativos, a política agora incorporou ferramentas como a PrEP e a PEP. Ambas, por sua vez, reduzem o risco de infecção antes e depois da exposição ao vírus.

Nesse sentido, e para dialogar com o público jovem, que vem reduzindo o uso de preservativos, o Ministério da Saúde lançou camisinhas texturizadas e sensitivas. Para viabilizar isso, houve a aquisição de 190 milhões de unidades de cada modelo.

Em relação à PrEP, o país ampliou significativamente seu acesso. Desde 2023, o número de usuários da Profilaxia Pré-Exposição cresceu mais de 150%. Como resultado direto, este crescimento fortaleceu a testagem, aumentou a detecção de casos e, consequentemente, contribuiu para a redução de novas infecções. Atualmente, 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente.

Além da prevenção, no diagnóstico, houve expansão na oferta de exames. O Ministério adquiriu 6,5 milhões de testes para HIV e sífilis, o que representa 65% a mais do que no ano anterior. Adicionalmente, foram distribuídos 780 mil autotestes, o que facilita a detecção precoce e o início oportuno do tratamento.

No que tange ao tratamento, o SUS mantém a oferta gratuita de terapia antirretroviral e acompanhamento a todos os diagnosticados. Mais de 225 mil utilizam o comprimido único de lamivudina mais dolutegravir. Esta combinação possui alta eficácia, melhor tolerabilidade e menor risco de efeitos adversos a longo prazo. Portanto, o tratamento em uma única dose diária favorece a adesão e melhora a qualidade de vida.

Por fim, esses avanços aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95. Essas metas preveem que 95% das pessoas vivendo com HIV conheçam o diagnóstico, 95% delas estejam em tratamento e 95% das tratadas alcancem supressão viral. É digno de nota que o país já cumpriu duas das três metas.

Fortalecimento da Resposta e Governança

Para fortalecer a participação social e a governança da resposta ao HIV, o Ministério da Saúde lançou editais inéditos que somam R$ 9 milhões. Estes recursos, que são fundamentais, são destinados a organizações da sociedade civil. Em outras palavras, o valor reconhece o papel histórico dessas entidades no controle social e na construção de políticas públicas de enfrentamento à aids.

Adicionalmente, a pasta também reúne hoje o maior número de comissões e comitês consultivos já instituídos na área. Naturalmente, isso amplia a escuta da sociedade e qualifica as decisões estratégicas. Por fim, o Ministério liderou a criação de um comitê interministerial. Esta, que é uma iniciativa inédita no campo da saúde, é voltada à eliminação de infecções e doenças determinadas socialmente, com foco especial na transmissão vertical do HIV e na aids. Fonte: Ministério da Saúde.

 

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