quarta-feira, 10 de junho de 2026

Credores cobram na Câmara dos Deputados solução para calote bilionário de construtora sul-coreana no Ceará

Moses Rodrigues: é preciso conhecer o impacto fiscal do empreendimento/ Foto: Kiko Magalhães/Câmara dos Deputados
Moses Rodrigues: é preciso conhecer o impacto fiscal do empreendimento/ Foto: Kiko Magalhães/Câmara dos Deputados

 

As consequências da atuação da Posco Engenharia e Construção do Brasil nas obras da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará, foram debatidas recentemente em uma reunião conjunta na Câmara dos Deputados.

A princípio, o debate mobilizou os membros das comissões de Desenvolvimento Econômico e de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.

Durante a audiência, os credores da empresa denunciaram que a construtora enviou ilegalmente recursos financeiros ao exterior. Consequentemente, a subsidiária deixou um rastro de dívidas trabalhistas, tributárias e comerciais no país que somam quase R$ 1 bilhão.

Vale ressaltar que a usina siderúrgica consiste em um grande empreendimento privado executado pela Posco Brasil, que funciona precisamente como subsidiária de uma multinacional sediada na Coreia do Sul.

Em setembro de 2025, a construtora pegou o mercado de surpresa ao formalizar seu pedido de falência no sistema judiciário brasileiro.

De acordo com o presidente da Associação Internacional dos Credores da Posco, Frederico Carvalho Campelo Costa, a conta corrente oficial da empresa no país apresentava um saldo simbólico de apenas R$ 100 no momento da quebra, o que gerou imediata indignação.

Diante disso, Costa assegurou aos parlamentares que o valor residual declarado pela Posco Brasil não corresponde de forma alguma ao patrimônio real da empresa.

Além do mais, o montante ínfimo também destoa completamente dos bilhões de dólares recebidos pela execução da obra, cujo custo total superou a marca de cinco bilhões de dólares.

Em seu depoimento, o representante explicou ainda que o projeto motivou dezenas de empresas brasileiras a ampliar investimentos e contrair financiamentos bancários para cumprir os contratos.

Por essa razão, e como resultado direto, o calote generalizado ao fim do projeto comprometeu severamente a sobrevivência financeira de diversos fornecedores locais.

 

Impacto fiscal e propostas de mudança na legislação

Em decorrência desse cenário, o deputado Moses Rodrigues (União-CE) defendeu a necessidade urgente de se dimensionar o impacto fiscal do colapso da empresa para o Estado do Ceará e para a União.

Segundo o parlamentar, a Câmara dos Deputados precisa avaliar medidas legislativas rigorosas com o objetivo de evitar que multinacionais estrangeiras repitam esse comportamento em solo nacional.

O foco do Congresso Nacional reside em entender as manobras financeiras da Posco e alterar as leis vigentes para blindar o Fisco Federal, as pessoas físicas e os prestadores de serviços terceirizados contra novos prejuízos.

Por outro lado, o governo brasileiro adota uma postura de cautela diplomática para resolver o impasse financeiro sem estremecer a geopolítica de negócios.

A esse respeito, o diretor do Departamento de Promoção Comercial, Investimento e Agricultura do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Henrique Moscardo, informou que o Itamaraty busca construir uma solução mediada e negociada para o caso.

Desse modo, ao mesmo tempo em que o poder público federal tenta garantir o ressarcimento dos empresários lesados, busca-se também preservar as históricas relações comerciais e diplomáticas mantidas entre o Brasil e a Coreia do Sul. Fonte: Agência Câmara de Notícias.

 

 

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