quarta-feira, 3 de junho de 2026

Editorial – 8 de janeiro não terminou

A ocupação de áreas militares por golpistas com a conivência de generais deixou um rastro de pólvora que ainda não foi apagado. O 8 de janeiro não tem data, ainda, para acabar.

Mesmo sabendo que as ocupações eram irregularidades e afrontavam à lei e à ordem constitucional, os generais deixaram que golpistas ocupassem indevidamente espaços e cometessem crimes ao defender, abertamente, uma intervenção militar.

E o pior, adotou medidas de proteção dos golpistas, mesmo sabendo do risco que poderia estar circulando entre eles armas e drogas. A bomba desativada em posto de gasolina foi tramada em área militar do Exército.

Informações davam conta da chegada de dezenas de ônibus de vários pontos do país para a manifestação de 8 de janeiro. Todos sabiam do que poderia acontecer com bolsonaristas inflamados e insuflados ao longo de quatro anos à desobediência civil, sem que ninguém alertasse o ex-presidente para o risco da sua atitude infame.  Muito pelo contrário, ao longo de cerca de 1.440 dias no Planalto, o capitão armou parte da população e aliciou as corporações das três forças e das polícias militares.

Quinze dias depois, em 21 de janeiro, quando parecia que a situação estava parcialmente controlada, eis que surge um insurgente desafiando o presidente da República. Depois de ter afrontado o Ministro da Justiça, não permitindo que policiais desocupassem o QG do Exército tomado por bolsonaristas extremistas, resolveu não acatar a solicitação do presidente para não nomear um ex-ajudante de ordem do ex-presidente para o comando militar em Goiânia.

Diante da desobediência do general, não restou ao presidente demitir o militar e, imediatamente, nomear o seu substituto. A ação rápida do Presidente, além de gerar surpresa no general, sinalizou para as forças militares que elas têm, de fato e de direito, um comandante supremo que não hesitará em colocar a casa em ordem.

Mas a tarefa não será fácil e apesar do discurso contundente do novo comandante do Exército, ele mantém laços com generais que não aceitam a vitória de Lula e tuitaram contra ele em 2018, quando foi preso. À época, o novo comandante contribuiu na redação do texto que para muitos foi uma intimidação do Supremo Tribunal Federal. Isso significa muito e somente os dias poderão dizer até que momento mesmo o novo quatro estrelas irá pacificar a tropa e garantir a ordem na instituição verde-oliva.

Outro detalhe: O chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, era ajudante de ordem de Sylvio Frota, quando o general foi destituído do Comando do Exército, pelo presidente Geisel.

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