Na manhã desta quarta-feira, 19 de novembro, o deputado estadual De Assis Diniz (PT) utilizou a tribuna para conectar escândalos de corrupção recentes a movimentos e articulações políticas do Centrão no Congresso Nacional.
O deputado citou dois focos principais em seu discurso. Diniz destacou a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal (PF). A Operação, segundo ele, expôs o desmonte de um símbolo do poder econômico: a Faria Lima. Esta avenida em São Paulo é conhecida por reunir grandes bancos, fundos e empresas.
O deputado mencionou a prisão de Daniel Vocaro, dono do Banco Master. Vocaro é acusado de desvios na ordem de R$ 12 bilhões, sendo um dos maiores rombos registrados no país.
O caso, para o deputado, escancara a relação dos esquemas de corrupção com políticos, citando nominalmente, Hugo Motta (Republicanos), Ciro Nogueira (PP) e Arthur Lira (PP)
O discurso de De Assis Diniz foca, portanto, na tese de que há uma estreita ligação entre o poder econômico do país, grandes esquemas de desvios financeiros e figuras proeminentes do grupo político conhecido como Centrão.
Conexões Políticas e o Banco Master
O deputado De Assis Diniz (PT) usou fatos passados e ações de outros políticos para reforçar a conexão do Centrão com os desvios no Banco Master. O deputado relembrou que, há dois anos, Ciro Nogueira (PP) tentou aumentar o valor do Fundo Garantidor de Valores (FGV). O FGV é uma verba destinada a socorrer bancos privados em dificuldades. Nogueira buscou elevar o montante de R$ 40 bilhões para R$ 120 bilhões.
De Assis Diniz infere que esse movimento pode indicar que Nogueira “já sabia das operações irregulares do Master”.
O deputado apontou que outros políticos, também ligados ao Centrão, demonstraram envolvimento ou interesse financeiro no Banco Master:
Ibaneis Rocha (MDB/DF): O governador do DF demonstrou interesse em comprar a carteira do Banco Master, usando o Banco de Brasília (BRB).
Cláudio Castro (PL/RJ): O governador do RJ usou R$ 900 milhões que pertenciam aos servidores aposentados no Banco Master.
Em conclusão, De Assis Diniz utilizou esses pontos para justificar o interesse do grupo na controversa Proposta de Emenda à Constituição (PEC). “Não à toa, todos estes políticos, ligados ao Centrão, queriam aprovar a vergonhosa PEC da Blindagem.”
A PEC da Blindagem foi uma proposta que gerou forte crítica por tentar limitar a capacidade de investigação de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público contra agentes políticos.
Críticas ao Silêncio e a Captura do Estado
De Assis Diniz questionou o silêncio dos políticos do Centrão e da extrema direita. Eles dizem combater o crime organizado, mas não elogiam as investigações da Polícia e da Receita Federal.
Pelo contrário, o deputado afirma que a preocupação do deputado Guilherme Derrite – relator do PL Anti-Facção – é proteger estes interesses. A Carbono Oculto destrincha como setores poderosos se articularam para capturar o Estado.
Para o deputado, o fundamental agora é fortalecer os mecanismos de fiscalização. Ele defende a transparência e o combate à corrupção.
De Assis Diniz alertou, comparando as atitudes: “O Brasil precisa romper com velhas práticas que misturam negócios privados com dinheiro público. Quando é para entrar na favela e matar pobres, eles apoiam. Quando é para minar o centro do poder, eles silenciam.”




