Por Nizomar Falcão Bezerra*
O conflito envolvendo a Rússia e a Ucrânia – dois expoentes da produção de cereais básicos (oleaginosas e fertilizantes) – interfere nas cadeias de suprimentos mundiais, com reflexos profundos nos preços de grãos, em escala global, visto que, isso afeta o fornecimento de fertilizantes e de energia; sem esquecer, alimentos terapêuticos prontos para consumo, amplamente recomendados para tratamento de crianças, gravemente desnutridas. Isso demonstra que os fatos locais interferem em âmbito global. Tais fatos assumem proporções ainda mais relevantes, porquanto as cadeias de suprimentos mundiais já estão sendo afetadas, adversamente, por conta de eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes. Episódios esses (possivelmente) decorrentes das mudanças climáticas, na medida em que, estão ocorrendo chuvas extremas e secas mais frequentes, inclusive no Ceará, como verificadas nessa segunda década do século XXI.
O que se observa, frequentemente e mundialmente, é a ampliação da insegurança alimentar e nutricional, por conta de conflitos de natureza diversas, de eventos climáticos extremos e políticas econômicas equivocadas, associados às crescentes desigualdades econômicas, que reverberam com maiores danos nos segmentos mais frágeis das populações: povos originários e tradicionais. De outro lado, as maiores preocupações é que com a certeza de que as adversidades continuarão a ocorrer, pouco tem sido as iniciativas para um enfrentamento mais incisivo; isto é, não basta, simplesmente, invocar programas de transferências de renda ou distribuir alimentos nos momentos críticos.
É preciso estruturar programas e projetos que habilitem os agricultores a produzir seus próprios alimentos e dependam cada vez mais da ajuda externa às suas comunidades, oportunizando-lhes, portanto, oportunidade de efetivar suas soberanias alimentares.
Os países e regiões subdesenvolvidas – aquelas de baixo poder aquisitivo da população de baixa renda, como o semiárido brasileiro – tem sido impactadas fortemente por esses eventos, com reflexos profundos na segurança alimentar e nutricional local, pelo fato de que as iniciativas que se deram ao longo desse século, foram inexpressivas ou não possuíam esse caráter. São ações dessa natureza, mais ousadas, que vão tornar as comunidades rurais mais resilientes. Esse é um desafio para o presente e para o futuro.
*Nizomar Falcão Bezerra, engenheiro agrônomo – Ph.D – Ematerce