segunda-feira, 20 de julho de 2026

Lula defende fechamento de bets e mostra preocupação com endividamento

Foto: Ricardo Stuckert / PR© Ricardo Stuckert / PR
Foto: Ricardo Stuckert / PR© Ricardo Stuckert / PR

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (8/4), a proibição das apostas eletrônicas de quota fixa, conhecidas como bets, no Brasil.

O chefe do Executivo demonstrou profunda preocupação com o nível de endividamento da população e o agravamento de problemas de saúde pública ligados ao vício.

“Se depender de mim, a gente fecha as bets”, disse, ressaltando que uma decisão final sobre o assunto depende de articulação com o Congresso Nacional. “Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país. Isso leva a sociedade a cometer desvios”, acrescentou Lula.

 

Influência política e impacto na renda familiar

O presidente reconheceu que o debate político sobre a proibição será complexo devido ao poder econômico do setor no Congresso Nacional.

Segundo Lula, as empresas de apostas possuem forte influência e financiam parlamentares, dificultando a articulação de medidas restritivas no Legislativo. Portanto, o governo estuda propostas paralelas para ajudar as famílias a quitarem dívidas potencializadas pela ilusão do “ganho rápido”.

Inclusive, Lula relatou casos extremos de pessoas que perderam bens essenciais, como casas e carros, devido à compulsão pelos jogos.

Além disso, dados do Banco Central revelam que, no primeiro trimestre de 2025, os apostadores destinaram até R$ 30 bilhões por mês às bets. O presidente comparou a tecnologia atual à proibição histórica dos cassinos físicos e do jogo do bicho no país.

“Eu passei toda minha vida ouvindo dizer que não era possível ter jogo de azar, ter cassino, o jogo do bicho era contravenção. Hoje o cassino está dentro da sua casa, com o seu filho de 10 anos […]  utilizando o celular do pai que é contra o jogo de azar, gastando dinheiro desnecessário e enricando as bets”, disse.

Assim sendo, o governo critica o uso de dinheiro necessário para a subsistência em apostas que enriquecem apenas os operadores do sistema.

 

Patrocínios esportivos e arrecadação tributária

O presidente rebateu a tese de que os clubes de futebol dependem vitalmente do patrocínio dessas empresas para sobreviverem. De fato, Lula lembrou que o esporte mais popular do país prosperou por mais de um século sem a presença financeira das casas de apostas.

Desde 2018, as apostas esportivas são legalizadas, tendo recebido regulamentação técnica em 2023 pelo atual governo. Afinal, o Ministério da Fazenda criou a Secretaria de Prêmios e Apostas para normatizar o setor e fiscalizar o cumprimento das portarias vigentes.

Existe um dilema econômico, pois a tributação sobre as bets alavancou a arrecadação federal de forma significativa no início de 2026. Segundo a Receita Federal, o setor gerou R$ 2,5 bilhões nos dois primeiros meses deste ano, registrando um crescimento de 236% na comparação anual.

O Executivo precisa equilibrar a necessidade de receita fiscal com a proteção social contra o vício e a ruína financeira.

A fala do presidente sinaliza uma possível mudança de rota na política de apostas do país. Assim, o futuro das bets no Brasil dependerá da força das negociações políticas nos próximos meses. Fonte: Agência Brasil. 

 

 

 

 

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