terça-feira, 21 de julho de 2026

Moraes determina preservação integral de provas sobre operação policial no Rio

Legenda: Moradores protestam contra execuções na comunidade da Vila da Penha, durante a Operação Contenção - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Legenda: Moradores protestam contra execuções na comunidade da Vila da Penha, durante a Operação Contenção - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)  determinou a preservação “rigorosa e integral” dos elementos materiais. A decisão foi publicada neste domingo (2 de novembro). Os elementos referem-se à execução da Operação Contenção.

Essa operação deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha. A incursão policial, realizada na última terça-feira (28), foi a mais letal da história do Rio.

A decisão abrange perícias e cadeias de custódia. Alexandre de Moraes atendeu a um pedido formulado pela Defensoria Pública da União (DPU).

Além disso, o ministro assegurou o controle e averiguação dos elementos pelo Ministério Público. A própria DPU no Rio de Janeiro terá acesso facultado às informações.

A nova medida ocorreu nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635. A ação é conhecida como ADPF das Favelas. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) a protocolou em 2019.

O ministro destacou que a determinação segue o Plenário do STF. O STF fixou isso no julgamento do mérito da ação. Segundo o Plenário, vestígios de crimes devem ser preservados. Isso assegura a independência técnica das perícias.

O governador Cláudio Castro deverá ser intimado ainda neste domingo. Assim, ele garantirá o cumprimento da decisão.

Histórico e Repercussão

Em abril deste ano, o STF definiu diversas medidas para combater a letalidade policial. Tais medidas surgiram durante operações da PM contra o crime organizado no Rio. Consequentemente, após o julgamento da ADPF635, órgãos como DPU e CNMP ficaram responsáveis por monitorar o cumprimento da decisão.

Não obstante, na última semana, a discussão sobre a $\text{ADPF}$ das Favelas voltou à tona. De fato, isso aconteceu porque a Operação Contenção tentou frear o avanço territorial da facção Comando Vermelho. Nessa mesma ocasião, o governador Cláudio Castro criticou a decisão do Supremo. Ele chegou a chamá-la de “maldita”.

Em consequência, Moraes marcou uma reunião para a próxima segunda-feira ($3$). Para tanto, ele se encontrará com o governador do Rio e outras autoridades. Durante o encontro, consequentemente, o governador deverá apresentar os $18$ esclarecimentos solicitados pelo ministro sobre a operação.

Audiência pública

O ministro Alexandre de Moraes ainda designou audiência conjunta para a próxima quarta-feira (5 de novembro), às 10h, na sala da Primeira Turma do STF, com a participação de diversos órgãos e entidades, como o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; Instituto Anjos da Liberdade; Associação Direitos Humanos em Rede – Conectas Direitos Humanos; Associação Redes de Desenvolvimento da Maré – Redes da Maré; Educação e Cidadania de Afrodescendentes Carentes – Educafro; Justiça Global; Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência; Coletivo Fala Akari; Coletivo Papo Reto; Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial; Movimento Negro Unificado (MNU); Centro pela Justiça e o Direito Internacional – CEJIL; Laboratório de Direitos Humanos da UFRJ; entre outros.Em outro ponto da decisão deste domingo, o ministro indeferiu pedidos de diversas entidades para participar como amicus curiae e os requerimentos de participação nas audiências a serem realizadas no dia 3 de novembro de 2025. Fonte: Agênia Brasil. 

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