segunda-feira, 20 de julho de 2026

MP aponta irregularidades em licitação de R$ 5,6 milhões da Prefeitura de Quixeramobim 

Foto: Facebook
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O Ministério Público do Ceará (MPCE) recomendou que a Prefeitura de Quixeramobim anule a licitação e o contrato de R$ 5,6 milhões com a empresa Max Eletro e Magazine Ltda.

A 1ª Promotoria de Justiça do município aponta indícios de irregularidades no fornecimento de material pedagógico de matemática para a rede municipal. Nesse sentido, o órgão recomenda que a gestão notifique a empresa para a devolução integral dos valores já recebidos.

O Ministério Público busca interromper um procedimento que compromete a legalidade e gera prejuízo vultoso ao erário.

 

Indícios de direcionamento e falta de transparência

A Promotoria identificou exigências técnicas excessivamente detalhadas no edital, o que teria prejudicado a livre concorrência entre fornecedores. Segundo a investigação, as especificações de materiais em EVA e bases plásticas coincidem minuciosamente com produtos de uma marca específica já existente no mercado.

Portanto, o detalhamento de peças e dimensões funcionou como um limitador para a participação de outras empresas interessadas no certame. Inclusive, o contrato não apresentou a individualização de preços para itens físicos e digitais, omitindo a formação real dos custos da “solução inovadora”.

Além disso, uma inspeção direta do Ministério Público constatou que o Município efetuou o pagamento integral do contrato sem a execução completa do objeto.

A diferença entre o valor efetivamente pago e o que foi realmente entregue supera a marca de R$ 5 milhões.

A manutenção da ata de registro de preços gera riscos financeiros não apenas para Quixeramobim, mas também para outros municípios que aderirem ao contrato como “caronas”.

O MP reforça que o planejamento inadequado e o julgamento subjetivo violam os princípios fundamentais da Administração Pública.

 

Recomendações e prazos para resposta

Por outro lado, o MP recomendou a instauração imediata de uma Tomada de Contas Especial para apurar o dano e viabilizar a devolução do montante pago.

A anulação deve abranger o pregão eletrônico, a ata de registro de preços e todos os contratos firmados a partir desse procedimento questionável. Vale ressaltar que o descumprimento dessas orientações pode resultar na responsabilização judicial e extrajudicial dos agentes públicos envolvidos.

Afinal, a lei exige que o poder público garanta a escolha da proposta mais vantajosa por meio de um processo transparente e objetivo.

A Prefeitura possui o prazo de cinco dias para comprovar as providências adotadas e evitar novas medidas judiciais em 2026.

 

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