segunda-feira, 20 de julho de 2026

Na Câmara dos Deputados, pescadores pedem fim de entrevistas e de burocracia digital no seguro-defeso

Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

 

Representantes de federações e colônias de pescadores cobraram mudanças urgentes na Medida Provisória 1323/25 nesta terça-feira (3/3).

Nesse sentido, o grupo criticou duramente a implementação de entrevistas presenciais e exigências digitais complexas.

Portanto, o reconhecimento facial em duas etapas tem impedido milhares de trabalhadores de receber o seguro-defeso.

De fato, o benefício funciona como um seguro-desemprego pago ao pescador artesanal durante o período de preservação das espécies.

Contudo, os debatedores relataram que a burocracia excessiva e as falhas nos sistemas federais prejudicaram muitas famílias

 Inúmeros pescadores ficaram sem renda durante o Natal e o início do ano letivo. Dessa maneira, a categoria exige uma revisão imediata das normas vigentes.

 

Impacto das barreiras digitais

O presidente da CNPA, Edivando Soares de Araújo, classificou como “lamentável” a situação atual dos trabalhadores brasileiros. Além disso, ele afirmou que as novas regras de fiscalização punem o verdadeiro pescador em vez de focar nos fraudadores.

Por isso, ele defendeu que a responsabilidade pela identificação dos profissionais retorne às entidades de classe.

Inclusive, essas instituições conhecem a realidade local de cada região. Da mesma forma, Jânio dos Santos Menezes destacou a inviabilidade do reconhecimento facial em comunidades isoladas do Amazonas.

Visto que muitos locais não possuem internet nem energia, a verificação digital torna-se impossível. Assim, o representante questionou como o trabalhador rural cumprirá exigências tecnológicas tão avançadas.

Logo, a exclusão digital gera uma barreira intransponível para o sustento dessas populações.

 

Deficiências no atendimento presencial

Ademais, o presidente da Associação da Pesca e Aquicultura do Pará, José Fernandes Barra, apontou falhas na linguagem técnica do Ministério do Trabalho.

Segundo ele, os questionários aplicados são incompatíveis com a escolaridade de muitos pescadores artesanais.

Barra denunciou a grave falta de servidores para realizar o atendimento presencial necessário. Por exemplo, municípios do Pará contam com apenas um único servidor para atender 14 mil pescadores.

Deste modo, a sobrecarga administrativa gera um indeferimento em massa dos pedidos de seguro.

A falta de estrutura física compromete a execução das políticas públicas federais. Por fim, as lideranças esperam que o governo flexibilize as regras para garantir a sobrevivência da categoria.

 

Sugestões apresentadas pelas entidades:
  • Suspensão imediata das entrevistas presenciais e do reconhecimento facial obrigatório.
  • Pagamento em parcela única dos valores atrasados para compensar os meses de espera.
  • Fortalecimento dos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com as colônias de pesca para validar os cadastros.
  • Inclusão do pescador artesanal em linhas de crédito específicas, semelhantes às da agricultura familiar.
Relatório

O relator da MP, senador Beto Faro (PT-PA), afirmou que o combate a fraudes é necessário, mas não pode cercear direitos.

“Não podemos, sob pretexto de combater fraudes, criar dificuldades para cessar direitos de quem é pescador efetivamente”, declarou.

Faro prometeu apresentar um relatório que equilibre a fiscalização com a garantia do pagamento. Fonte: Agência Câmara de Notícias.

 

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