domingo, 12 de julho de 2026

No meio do caminho tinha uma Pietra, tinha uma Pietra no meio do caminho

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

 

Por Roberto Maciel

O jornalista, que já pede perdão à memória do poeta Carlos Drummond de Andrade pela adaptação de versos imortais no título acima.

Pietra Bertolazzi é uma mulher cis, branca, olhos azuis, bonita e rica (ou foi). Tem tipos físico e comportamental que não se veem nas classes sociais médias ou abaixo disso.

É o que se chama de “pessoa da elite”, seja lá o que isso signifique. Foi modelo fotográfico e DJ. Atuou até na Europa. Nunca pegou ônibus e talvez nunca tenha segurado nas mãos uma carteira de trabalho.

Nunca foi assediada moral ou sexualmente. Não sabe o que é escala 6×1. Por estes dias a moça conseguiu alguma projeção nas redes sociais.

Dizendo-se antifeminista, como habitualmente faz, gravou vídeo contestando o direito ao voto que as democracias – a brasileira inclusa – asseguram às mulheres.

Foi um gesto desesperado, no mínimo, para voltar a chamar atenção do que há de mais reacionário e perigoso no Brasil, o fascismo que vive no bolsonarismo.

Pietra quis aproximar o discurso chulo que reverbera ao de um canalha, filho e neto de canalha, criminoso e golpista, que se encontra refugiado nos EUA.

Pietra Bertolazzi nunca fez nada que a alçasse à condição de referência ética, moral ou profissional. Conseguiu, por alguns meses, visibilidade nas redes sociais por defender ideias fascistas nos microfones da rede de rádio Jovem Pan.

Vive, depois disso, tentando algum espaço numa faixa da mídia que se infla com insanidades, ofensas e inutilidades.

É filha de um industrial reconhecido como ousado mas com dificuldades de gestão, Alberto Bertolazzi, que foi dono da fábrica de instrumentos musicais Hering.

Em apuros financeiros, conseguiu vender o negócio, sob sua propriedade havia cerca de 20 anos, para ex-empregados que hoje a mantêm sob outra denominação. Alberto morreu em 2021.

É irmã de outro personagem midiático polêmico, o chefe de cozinha Carlos Bertolazzi, que se mostrava grosseiro e agressivo e ao apresentar reality show de baixa audiência na rede de televisão SBT.

O estilo que empregou acabou, segundo análises de sites especializados, resultando na queda de audiência do programa.

 

 

Pietra, sendo sobrinha de um mitômano que misturava soberba, falência e arrogância, testemunhou o tio materno Chiquinho Scarpa contrair até mesmo um casamento para se manter no noticiário.

Scarpa reivindica para si o título de conde e afirmava publicamente, sempre que podia, que possuía um escravo em um país pobre.

Por essa razão, o leitor não deve acreditar em nenhuma sinceridade teórica, prática ou ideológica vinda de pessoas com esse perfil.

Em contrapartida, os indivíduos que compartilham da mesma irresponsabilidade política inventam ou replicam narrativas para tentar se firmar no ambiente inóspito em que se movimentam.

Essas figuras acabam habitando um espaço degradante, onde as ideias, a autoestima e a moral rastejam em terreno sulfuroso.

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