quarta-feira, 24 de junho de 2026

Roteiro para Superar a Baixa Produtividade no Brasil

Foto: Lumiun blog
Foto: Lumiun blog

 

Por José Nelson Bessa Maia*

Tornou-se algo habitual afirmar que a baixa produtividade seria um dos principais entraves ao crescimento econômico do Brasil, uma vez que esta permaneceu praticamente estagnada há décadas. Por causa disso é que o país estaria enfrentando uma “armadilha de baixo crescimento”, com trabalhadores produzindo, em média, cerca de um quinto do que nos EUA, tido como referência nesta matéria.

A comparação internacional de produtividade costuma ser feita em PIB por trabalhador empregado em dólares internacionais ajustados por Paridade de Poder de Compra. Os dados do ConferenceBoardmostram que o Brasil teve forte perda relativa entre 1980 e 2000 e depois ficou praticamente estagnado.

Hoje, um trabalhador brasileiro produz 24% do que produz um trabalhador norte-americano médio. Por outro lado,a China partiu de base extremamente baixa em 1980, mas teve o maior avanço da história econômica recente. Com isso, a produtividade chinesa passou de 4% da americana para 40% em pouco mais de quatro décadas.

O dado mais impressionante é que, em 1980, o Brasil possuía uma produtividade de oito vezes superior à da China. Hoje, a situação se inverteu: a produtividade média do trabalhador chinês já é 60% maior que a do trabalhador brasileiro. O Brasil permaneceu praticamente estagnado por quatro décadas, enquanto a China convergiu rapidamente para os níveis das economias avançadas.

Entre as principais causas estão a falta de concorrência, infraestrutura de logística ineficaz, dificuldades de acesso a crédito, distorções tributárias e regulatórias e má alocação de recursos, que impedem empresas mais produtivas de inovar e crescer. Além disso, grande parte da força de trabalho está concentrada em setores de baixa produtividade, como agricultura e comércio.

Para resolver esse impasse e superar o desafio da baixa produtividade, diversos estudos apontam a necessidade de promover reformas estruturais, maior integração produtiva, modernização da infraestrutura, maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), melhoria na educação básica, média e superior e maior abertura a investimentos estrangeiros.

Esse pacote de medidas poderia impulsionar a produtividade do trabalho e alavancar o crescimento em bases sustentáveis. Além disso, muitos defendem a estímulos direcionados a setores intensivos em conhecimento, inserção planejada em cadeias globais de valor e modernização da agroindústria.

 

Em um país com tantas potencialidades, como recursos naturais abundantes, sistema financeiro sofisticado, grande mercado interno e boas universidades como o Brasil, conclui-se que, embora o problema seja estrutural, há uma janela de oportunidade para se evitar mais uma década perdida, desde que governos, empresas e universidades atuem desde já de forma coordenada no bojo de Estratégia Nacional de Desenvolvimento para romper o circuito da baixa produtividade e superar a armadilha da renda média.

 

(*) José Nelson Bessa Maia, ex-secretário de Relações Internacionais do Governo do Ceará, é mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente, é consultor internacional.

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