Por Nizomar Falcão Bezerra*
Ostracismo, na Grécia antiga, era o desterro determinado em plebiscito, contra um cidadão – sem confisco de bens -, como forma de promover a segurança pública ou para evitar a sua atuação e influência política; isto é, o afastamento das suas atribuições e funções políticas relativas à coletividade.
Ao ser concluída a nomeação do primeiro escalão do Governo Elmano Freitas, constata-se o quão é insignificante a participação de profissionais da Engenharia nos cargos de direção, evidenciando-se o desprestígio da categoria dos engenheiros: agrônomos, civis, ambiental, cartográfica, computação, alimentos, horticultura, florestal, industrial, mecatrônica, sanitária, pesca, agrícolas, agrimensura, aquicultura, elétrica, hídrica, mecânica, química etc.
Com todas as vênias aos nomeados e ao governador e, o elevado respeito ao poder discricionário dos governantes, não há que se falar em: Erradicação da pobreza; Fome zero e agricultura sustentável; Saúde e bem-estar; Assistência Técnica e Extensão Rural; Igualdade de gênero; Água limpa e saneamento; Energia limpa e acessível; Trabalho digno e crescimento econômico; Agroindústria, infraestrutura e inovação; Redução das desigualdades, Comunidades sustentáveis; Consumo e produção responsáveis; Vida aquática; Vida terrestre; e Paz, justiça e instituições eficazes, sem uma acentuada participação das categorias profissionais, da engenharia, com formações específicas, em funções de comando.
Nesse universo, ressalta-se o fato de que entre as entidades voltadas para o meio rural (SDA, Ematerce, Adagri, Idace, Ceasa etc.,), nenhuma delas possui engenheiros no cargo máximo de direção, evidenciando-se total invisibilidade política desses profissionais.
Se realmente quisermos dar destaque a convivência como semiárido – segurança alimentar e nutricional, mudanças climáticas, reflorestamento, equitatividade dos recursos hídricos, proteção do meio ambiente, combate à desertificação, irrigação, abastecimento, dessedentação animal, energias alternativas e combate à pobreza rural, entre outras áreas do conhecimento -, há que se aproveitar esses profissionais da Engenharia, que são professores das Universidades e dos quadros técnicos do estado do Ceará, que passaram toda uma vida se dedicando ao estudo, fazendo especializações, mestrados, doutorados, pós-doutorados etc., na concepção de planos, programas e projetos de superação de adversidades sociais e econômicas dos cearenses.
Onde está o Crea? As associações dos engenheiros? O Sindicato dos engenheiros? Chegamos ao fundo do poço ou mesmo no fundo do poço é possível cavar um pouquinho mais?
* Nizomar Falcão Bezerra é engenheiro agrônomo PhD – Ematerce








