O Governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), oficializou a criação de cinco novas Unidades de Conservação (UCs) em dezembro de 2025. Dessa forma, a proteção do bioma Caatinga ganha um reforço de aproximadamente 80 mil hectares, elevando o total de unidades sob gestão estadual de 39 para 44.
As Novas Áreas Protegidas
Nesse sentido, as novas UCs foram distribuídas estrategicamente para combater a desertificação e preservar a biodiversidade local. Com efeito, os decretos publicados no Diário Oficial abrangem as seguintes áreas:
APA Serras de Irauçuba (Irauçuba): Situada em uma zona crítica de desertificação, atuando na recuperação do solo.
MONA Furna dos Ossos (Tejuçuoca): Focada na preservação de sítios naturais raros e formações geológicas de grande beleza cênica.
ARIE Pontal da Serra da Ibiapaba (Graça, Pacujá e Reriutaba): Localizada próxima ao Parque Nacional de Ubajara, favorecendo a conectividade ecológica.
REVIS Picos da Caatinga (Canindé e Itatira): Com 2.181 hectares, protege espécies ameaçadas como a maria-do-nordeste e o vira-folha-cearense.
APA Serras da Caatinga (Canindé, Itatira e Santa Quitéria): Abrange diversas fitofisionomias, desde a Caatinga Arbórea até Matas Úmidas.
Importância Climática e Ambiental
Além disso, a titular da Sema, Vilma Freire, ressaltou que estudos de 2025 consolidaram a Caatinga como um dos biomas mais eficientes no sequestro natural de carbono, sendo responsável por cerca de 50% da captura do país em anos recentes. Portanto, investir na preservação dessas áreas é uma estratégia direta para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Gestão e Parcerias
Afinal, o processo de criação contou com intensa participação popular por meio de consultas públicas. Inclusive, a iniciativa faz parte do projeto GEF Terrestre, coordenado pela Sema em parceria com a ONG Associação Caatinga. Sendo assim, a expansão representa um marco na política ambiental do governador Elmano de Freitas, que sancionou em junho de 2025 a lei que institui a Caatinga como Patrimônio Natural do Ceará.

Área de Proteção Ambiental Serras de Irauçuba (Irauçuba)
A recém-criada Área de Proteção Ambiental (APA) Serras de Irauçuba abrange uma extensão de 4.966,24 hectares. Dessa forma, sua localização é considerada vital para o equilíbrio ambiental do Ceará, pois está inserida em um dos principais núcleos de desertificação do estado. Portanto, a unidade atua como uma barreira ecológica contra a degradação do solo na região.
Riqueza Biológica e Espécies Ameaçadas
Nesse sentido, a relevância biológica da APA é confirmada pela presença de fauna rara e ameaçada de extinção. Com efeito, a unidade de conservação serve de refúgio para espécies importantes, tais como:
Urubu-rei (Sarcoramphus papa): Ave de rapina essencial para o equilíbrio do ecossistema.
Jaguatirica (Leopardus pardalis): Felino que indica a saúde da biodiversidade local.
Jacucaca (Penelope jacucaca): Ave endêmica da Caatinga e altamente vulnerável.
Restauração e Resiliência Regional
Além disso, a área foi classificada como zona prioritária para restauração ecológica. Isso acontece porque a conservação da vegetação nativa nestas serras ajuda a manter a umidade e a proteger as nascentes, combatendo diretamente o avanço do clima árido. Por conseguinte, a criação desta UC promove a resiliência regional, garantindo que o ecossistema consiga se recuperar e sustentar a vida silvestre e as comunidades locais.
Sendo assim, a APA Serras de Irauçuba não apenas preserva a fauna, mas também garante a manutenção de serviços ecossistêmicos fundamentais em um cenário de mudanças climáticas. Afinal, proteger as áreas elevadas é o primeiro passo para evitar que o processo de desertificação se torne irreversível no semiárido cearense.

Monumento Natural Furna dos Ossos
O Monumento Natural (MONA) Furna dos Ossos, localizado em Tejuçuoca, compreende uma área estratégica de 60,37 hectares. Dessa forma, por pertencer ao grupo de Proteção Integral, a unidade possui regras de preservação mais rígidas do que as Áreas de Proteção Ambiental. Nesse sentido, o objetivo central da unidade é proteger sítios naturais raros e singulares que apresentam grande beleza cênica para o estado.
Diferente de outras categorias de proteção integral, um Monumento Natural pode ser constituído por áreas particulares. Para tanto, os proprietários podem manter a posse da terra, desde que as atividades econômicas sejam compatíveis com a conservação da natureza. Com efeito, essa característica permite que o turismo ecológico e a preservação convivam com o uso responsável do solo pelos locais.
Importância Geológica e Ambiental
Sendo assim, a Furna dos Ossos destaca-se pela sua formação geológica peculiar, sendo um ponto de interesse científico e educativo. Além disso, a proteção dessa pequena mas valiosa área garante a manutenção de microhabitats específicos da Caatinga que dependem dessas formações rochosas. Afinal, a preservação de monumentos naturais é essencial para manter a memória geológica do Ceará e fomentar o ecoturismo na região do Vale do Curu.
Portanto, a criação desta unidade reforça o compromisso do Ceará em proteger não apenas a fauna, mas também o patrimônio geológico singular do sertão. Inclusive, essa proteção integral garante que a beleza única de Tejuçuoca permaneça intacta para as futuras gerações.

Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Pontal da Serra da Ibiapaba
A Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Pontal da Serra da Ibiapaba, com seus 6.134,39 hectares, surge como um elo estratégico para a conservação ambiental no Noroeste cearense. Dessa forma, localizada nos municípios de Graça, Pacujá e Reriutaba, a unidade tem como missão principal manter os ecossistemas naturais de importância local e regional. Nesse sentido, o objetivo é regular o uso do solo de maneira que as atividades humanas não comprometam a integridade da natureza.
Conectividade Ecológica e Gestão Integrada
Além disso, a nova ARIE possui uma localização privilegiada que potencializa sua função ambiental. Isso acontece porque ela está situada nas proximidades de importantes Unidades de Conservação (UCs) federais e estaduais, tais como:
Parque Nacional de Ubajara: Uma das joias da conservação federal no Brasil.
APA da Serra da Ibiapaba: Que protege a vasta extensão da chapada.
APA da Bica do Ipu: Famosa por sua queda d’água e biodiversidade.
Com efeito, essa proximidade favorece a conectividade ecológica, permitindo que espécies da fauna e flora circulem entre as áreas protegidas. Por conseguinte, essa integração fortalece a gestão do território e amplia a resiliência dos biomas Caatinga e Mata Atlântica que coexistem na região.

Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Picos da Caatinga
O Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Picos da Caatinga, com uma área de 2.181,77 hectares, foi estabelecido nos municípios de Canindé e Itatira. Dessa forma, a criação desta Unidade de Conservação (UC) atende a uma carência histórica de áreas protegidas nessa região do semiárido cearense. Nesse sentido, o objetivo central é assegurar condições ideais para a sobrevivência e reprodução da flora e fauna locais.
Proteção de Espécies em Extinção
Com efeito, a importância do REVIS é sublinhada pela presença de aves raras, cuja existência está seriamente ameaçada pela perda de habitat. Sendo assim, a unidade protege espécies emblemáticas que dependem de matas preservadas, tais como:
Maria-do-nordeste (Hemitriccus mirandae): Pequena ave que necessita de ambientes sombreados.
Vira-folha-cearense (Sclerurus cearensis): Espécie que forrageia no chão da floresta entre as folhas secas.
Chupa-dente-do-nordeste (Conopophaga cearae): Pássaro endêmico que exige remanescentes florestais densos.
Conectividade e Sobrevivência
Além disso, a manutenção dessas aves migratórias e residentes depende diretamente da conexão entre diferentes fragmentos de mata. Isso acontece porque áreas isoladas impedem o fluxo gênico e a busca por alimento. Dessa maneira, o REVIS Picos da Caatinga atua como um porto seguro, garantindo que esses remanescentes florestais permaneçam intocados. Por conseguinte, a sobrevivência dessas espécies a longo prazo torna-se mais viável com a proteção oficial do Estado.
Afinal, ao proteger os picos e serras de Canindé e Itatira, o Ceará preserva não apenas a beleza cênica, mas a complexa teia de vida que sustenta o bioma. Portanto, a criação do refúgio é uma resposta direta à necessidade urgente de conservar a biodiversidade única da Caatinga.

Área de Proteção Ambiental (APA) Serras da Caatinga
A Área de Proteção Ambiental (APA) Serras da Caatinga é a maior entre as novas unidades, abrangendo uma vasta extensão de 66.387,38 hectares. Dessa forma, sua área de atuação contempla os municípios de Canindé, Itatira e Santa Quitéria. Nesse sentido, o objetivo central desta UC é disciplinar o uso e a ocupação do solo, garantindo que o desenvolvimento econômico da região ocorra de forma sustentável e em harmonia com a natureza.
Mosaico de Fitofisionomias e Habitats
Com efeito, a criação desta APA fundamentou-se na extraordinária diversidade de vegetação encontrada nas serras. Isso acontece porque a região abriga diferentes formações vegetais, o que permite a coexistência de variados ecossistemas em um único território:
Caatinga Arbórea: Árvores mais altas e densas adaptadas ao clima semiárido.
Mata Seca: Florestas que perdem as folhas no período de estiagem, típicas de encostas.
Mata Úmida: Remanescentes de florestas mais verdes e frescas, geralmente encontradas nos topos das serras.
Fonte: governo estadual.







