Nesta segunda-feira (27/11), o governador Elmano de Freitas assinou decreto que firma o tombamento definitivo do Sítio Histórico do Patu. Agora, o conjunto arquitetônico localizado na área rural de Senador Pompeu (265 km de Fortaleza) integra o Patrimônio Histórico e Artístico do Ceará.
O tombamento corresponde à capacidade de pesquisa, estudos e reflexão histórica que este espaço propicia. Marco de um trauma coletivo da sociedade cearense, o lugar foi utilizado como campo de concentração às vítimas da seca de 1932. É o único, dos sete espaços desta natureza instalados no Ceará, que permanece com ruínas de pé.
O trabalho desenvolvido pela Coordenadoria de Patrimônio Cultural e Memória (Copam), da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), atende a demandas da sociedade civil. Garantida via decreto, a salvaguarda protege os edifícios e instalações que ainda restaram do “Campo do Patu”.
O tombamento preserva a volumetria, fachada e ambientes internos, sendo proibidas ações de demolição ou mutilação destes imóveis. Qualquer reforma, alteração, modificação ou restauro só é possível após licença prévia da Copam. Com cerca de nove quilômetros quadrados, hoje, o lugar contribui para estudos acadêmicos e potencial desenvolvimento turístico da Região Central do Ceará.
Tombamento
O “Campo do Patu” funcionou de 1932 a 1933 e chegou, segundo estimativas, a confinar cerca de 20 mil pessoas oriundas de diversas partes do Estado. Mesmo com a escassez de documentos oficiais, existe a previsão de oito a 12 mil mortos enterrados em valas coletivas na região.
O primeiro pedido de tombamento para o Sítio Histórico do Patu aconteceu em 1996 e foi realizado pelo grupo “19-22”, liderado pelo advogado e ativista Valdecy Alves. Em julho de 2019, o sítio foi tombado como “patrimônio histórico-cultural municipal” pela cidade de Senador Pompeu. Sensível a décadas de reivindicações e espera pelo reconhecimento oficial, o Ceará concretiza o tombamento definitivo em 2023. Com informações da Secult Ceará.







