O Tribunal do Júri da Vara Única Criminal da Comarca de Aquiraz acolheu, nesta quarta-feira (03/6), as teses do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
O conselho de sentença condenou Leonardo Nascimento Chaves e Adriano Andrade Ribeiro pelo feminicídio da contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves.
Os réus cometeram o crime brutal em agosto de 2023, dentro da residência onde Leonardo e Kaianne viviam como casados, no município de Aquiraz. A sessão de julgamento estendeu-se por cerca de 26 horas até o juiz ler a sentença.
No plenário, promotores de Justiça integrantes do Grupo de Apoio ao Júri (Gajuri) sustentaram a acusação do Ministério Público.
O promotor de Justiça e coordenador do Gajuri, Luís Bezerra, destacou que o veredito do Conselho de Sentença — composto por cidadãos que representam a sociedade cearense — confere uma resposta firme e justa tanto para os familiares da vítima quanto para a população do estado após um exaustivo trabalho em plenário.
Motivação torpe e simulação de assalto
As investigações e a denúncia formalizada pelo Ministério Público revelam que o marido da contadora, Leonardo, planejou friamente o crime.
O interesse financeiro em receber os valores de apólices de seguros contratadas em nome de Kaianne motivou o mandante.
Para executar o plano, o cônjuge contratou Adriano Andrade Ribeiro e efetuou um pagamento adiantado no valor de R$ 1,2 mil. Ele também aliciou um adolescente para participar da ação criminosa.
Os réus esganaram a vítima até a morte dentro do próprio lar. Logo após o assassinato, os criminosos subtraíram diversos pertences e objetos de valor da residência.
Eles planejavam simular um assalto seguido de morte (latrocínio) para desviar o foco das investigações policiais e ocultar a real autoria do mandante.
Apoio do Nuavv
O Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) manteve uma equipe no local durante os três dias para auxiliar os familiares de Kaianne.
“O acompanhamento psicológico e de assistência social que o Núcleo prestou buscou garantir, além da justiça, a dignidade das vítimas diretas e indiretas que passam por situações traumatizantes, como a deste caso”, afirmou o promotor de Justiça Rodrigo Calzavara, coordenador do Nuavv Fortaleza.







