O Ministério Público do Ceará inaugurou, na sede das Promotorias de Justiça de Aracati, uma exposição histórica nesta segunda-feira (9/3).
Primordialmente, a mostra celebra a trajetória de Lucrécia Pinho, a primeira Promotora de Justiça do Ceará.
A solenidade reuniu membros do MP, servidores e familiares da homenageada no prédio que agora leva o seu nome.
Dessa forma, a iniciativa integra a programação oficial do Dia Internacional da Mulher.
O pioneirismo de Lucrécia Pinho
A procuradora de Justiça Sheila Pitombeira ressaltou a importância do pioneirismo de Lucrécia Pinho durante o evento. Segundo ela, a homenageada atuou como um agente transformador para a sua própria geração.
A coordenadora do Memorial do MP afirmou que a ocupação de espaços por mulheres beneficia toda a sociedade.
Portanto, o legado da promotora serve como um guia para as futuras gerações de profissionais do Direito.
Ademais, a promotora Nara Rúbia Silva enalteceu a representatividade desta mulher extraordinária. Inclusive, ela destacou que Lucrécia Pinho foi uma figura de vanguarda que conquistou espaços fundamentais na esfera profissional.
Consequentemente, sua história reforça a presença feminina em instituições historicamente masculinas.
Assim sendo, o Ministério Público reafirma seu compromisso com a memória institucional e com a equidade de gênero.
Pesquisa e memória institucional
Por outro lado, a historiadora Lígia Holanda relatou o esforço da equipe para pesquisar e retratar a vida da homenageada.
Dessa maneira, o Departamento de Memória Institucional buscou evidenciar como a trajetória de Lucrécia Pinho abriu novos caminhos.
Afinal, o significado dessa história de vida impacta diretamente o fortalecimento dos direitos das mulheres. Logo, a exposição traduz décadas de persistência em uma narrativa visual acessível ao público.
Por fim, a sobrinha da homenageada, Socorro Pinho, enfatizou que Lucrécia jamais duvidou de sua própria capacidade.
De fato, ela buscou seu próprio espaço com uma liderança discreta e persistente. Nesse contexto, sua atuação no Ministério Público visava transformar o mundo em um lugar mais justo e humano.
O trabalho da primeira promotora cearense permanece como um exemplo de dignidade e coragem para todos.

Para Mário Moreira, diretor-geral do campus do Instituto Federal do Ceará (IFCE) em Aracati, a trajetória dela ultrapassa o valor histórico do pioneirismo.
“Ela representa a personificação de um Ministério Público humano e resolutivo, características que dialogam diretamente com a missão do IFCE de formar cidadãos comprometidos com a transformação social”.
Por fim, Sheila Freitas, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Litoral Leste, também pontuou a importância da exposição.
“Mostra que a mulher tem força e poder para ocupar todos os espaços que ela quiser. E é exemplo para que cada dia mais as mulheres busquem espaços de poder e de decisão”.
Sobre a exposição
O acervo reúne objetos pessoais da promotora de Justiça, como diário e fotografias, além de documentos e jornais da época que registram a atuação pioneira dela.
A exposição é uma iniciativa do Departamento de Memória Institucional da Secretaria de Comunicação do MP do Ceará, responsável por promover ações de resgate à identidade e à história da instituição.
A visitação é aberta ao público de segunda a sexta, das 8h às 17h, no prédio das Promotorias de Justiça de Aracati, localizado na Rua Rio Jaguaribe, n° 933, bairro Vila São Cristóvão.
O município é o segundo a receber a mostra que, em 2025, foi exibida em Fortaleza, no Espaço Cultural da Procuradoria Geral de Justiça.
Sobre a homenageada
Nascida em Sobral, em 28 de abril de 1912, Lucrécia foi a única mulher na turma de 1929 da Faculdade de Direito do Ceará e a primeira inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Ceará (OAB-CE), em 1933.
Ela foi a primeira promotora de Justiça no Ceará, nomeada em 1934, e a segunda a ingressar na carreira ministerial em todo o Brasil, abrindo caminho para que outras mulheres possam hoje seguir essa carreira.
No MP do Ceará, ela foi titular nas comarcas de Icó, Cascavel, Aquiraz, Sobral e Fortaleza. Além disso, em 1959, assumiu o cargo de procuradora da República no Ceará. Aposentou-se em 1962 e faleceu no ano 2000.








