Um vídeo do sistema de segurança da Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos (SP) mostra o momento em que o sargento da Marinha, Jairo Moreira da Silva, enviado do então presidente Jair Bolsonaro (PL), tenta recuperar as joias apreendido pela Receita.
O sargento Jairo, no vídeo, mostra o celular onde tem um ofício enviado pelo tenente-coronel Mauro Cid, braço-direito de Bolsonaro, ao chefe da Receita Federal, Julio Cesar Vieira Gomes. As informações e o vídeo foram divulgados pelo blog da Andréia Sadi, dnesta quarta-feira, 8/3.
Os vídeos datam do dia 28 de dezembro de 2022, um dia antes de o ex-presidente viajar para os Estados Unidos, onde está até hoje. As joias foram apreendidas em 26 de outubro de 2021.
O vídeo está dividido em cinco trechos de conversa, que ainda estão sendo atualizados. No primeiro trecho, o sargento Jairo mostra o ofício de Mauro Cid, braço-direito do então presidente, ao chefe da Receita, Julio Cesar Vieira Gomes.
Já no segundo trecho, Jairo liga para Mauro Cid e explica que está na Alfândega naquele momento. O sargento tenta passar o telefone para o auditor da Receita, que faz sinal de ‘não’ com o dedo e recusa falar com Cid.
No terceiro trecho, Julio Cesar tenta explicar que, para receber os itens, é necessário um Ato de Destinação de Mercadoria (ADM). Em resposta, o sargento diz que está “na correria” e que o caso é de “urgência”. No quarto trecho, Jairo diz que a retirada das joias é uma questão de burocracia e “faz parte da passagem”, se referindo a troca de governo de Bolsonaro para Lula. “Não pode ter nada do antigo para o próximo”.
No quinto e último trecho, Jairo diz que o ADM está sendo providenciado e que outro agente da Receita está ciente da ação. Ele pede para Julio Cesar ligar para esse outro funcionário, mas o auditor nega pedido.
As joias de Michelle Bolsonaro
As joias, avaliadas em R$ 16,5 milhões, seriam um presente para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, porém ela afirmou que foi “a última a saber” sobre o envio de joias pelo governo da Arábia Saudita, em 2021. O caso vem repercutindo desde sexta-feira, 3/3, quando o jornal O Estado de S.Paulo publicou as informações.
As peças foram dadas à comitiva brasileira durante uma viagem ao Oriente Médio, em 2021, feita por alguns participantes do Governo de Jair Bolsonaro (PL).
No mesmo dia em que a reportagem d’O Estado saiu, o ex-ministro Bento Albuquerque, que viajou ao Oriente Médio em outubro daquele ano, admitiu que trouxe joias para Michelle e um relógio, também de diamante, para Bolsonaro.
Porém, Albuquerque afirmou que era um pacote fechado e não sabia o que tinha dentro. “Nenhum de nós sabia o que eram aquelas caixas”, disse. Albuquerque foi ao local representar o governo brasileiro na reunião de cúpula “Iniciativa Verde do Oriente Médio”, realizada na capital daquele país.
As joias foram encontradas dentro da mochila de Marcos André Soeiro, militar e assessor de Bento na época. Os fiscais se depararam com a escultura de um cavalo de aproximadamente 30 centímetros, dourada, com as patas quebradas.
Dentro dela, encontraram, ainda, o estojo com as jóias trazidas para Michelle, acompanhadas de um certificado de autenticidade da marca Chopard. Com informações do O POVO.








