domingo, 19 de julho de 2026

EUA passam a classificar CV e PCC como organizações terroristas

Marco Rubio e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução/Redes Sociais/@FlavioBolsonaro
Marco Rubio e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução/Redes Sociais/@FlavioBolsonaro

 

O governo dos Estados Unidos anunciou uma medida de grande impacto nesta quinta-feira. A informação foi divulgada oficialmente pelo Departamento de Estado.

Diante disso, os EUA vão designar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras.

Segundo o comunicado oficial, a decisão terá validade jurídica a partir do dia 5 de junho. As medidas baseiam-se nos parâmetros da Lei de Imigração americana.

A determinação cumpre uma ordem executiva direta do presidente Donald Trump. Essas designações entram em vigor após a devida publicação no Federal Register.

O secretário de Estado, Marco Rubio, manifestou-se de forma detalhada. Ele ressaltou que o CV e o PCC atuam como organizações extremamente violentas.

O secretário afirmou que ambas comandam milhares de membros fortemente armados. Elas têm orquestrado ataques brutais contra policiais e civis.

Além disso, Rubio destacou que as redes ilícitas das facções se estendem muito além das fronteiras brasileiras, alcançando toda a América e o território dos EUA.

 

Reação brasileira e riscos à soberania

O governo brasileiro vinha tentando evitar essa classificação nos últimos meses. Havia o temor generalizado de consequências diplomáticas e econômicas graves.

A saber, o Brasil avaliava que a medida poderia abrir caminho para intervenções militares americanas. Do mesmo modo, temia-se a aplicação de sanções financeiras severas ao mercado nacional.

Em contrapartida, especialistas de segurança apontam que a designação representa um potencial risco à soberania nacional.

A decisão unilateral pode prejudicar até mesmo os atuais esforços de cooperação. Dessa forma, haveria alteração profunda no nível de sigilo das informações compartilhadas entre os países.

Os dados seriam totalmente centralizados na CIA ou em órgãos militares. Por consequência, essa mudança drástica poderia atrapalhar investigações conjuntas em curso. Similarmente, a nova dinâmica inviabilizaria a construção de futuras parcerias de segurança e inteligência.

 

A política do “Narcoterrorismo”

Com certeza, o governo de Donald Trump vem reorientando a sua política externa nesta nova gestão.

O foco principal das ações é a América Latina. Para tanto, Washington direciona sua máquina de guerra para a região.

A justificativa utilizada pelas autoridades americanas é o combate ao chamado “narcoterrorismo”.

A propósito, forças militares dos EUA já bombardearam diversas embarcações suspeitas no Caribe recentemente.

Essas ações bélicas ocorreram totalmente fora da jurisdição norte-americana. Da mesma forma, a invasão do território venezuelano no início do ano seguiu essa premissa.

A operação resultou na deposição do então presidente Nicolás Maduro. Portanto, a possibilidade de ações semelhantes ocorrerem em território brasileiro tornou-se um risco real.

O cenário futuro permanece altamente incerto e gera profunda preocupação.

 

Contexto político e articulações

Recentemente, o presidente Lula da Silva discutiu o tema com Donald Trump na Casa Branca. O encontro bilateral ocorreu no início deste mês.

Na ocasião, os mandatários debateram frentes de trabalho para asfixiar financeiramente o crime organizado. Contudo, eles não citaram o PCC ou o CV especificamente durante as declarações públicas.

O anúncio de Marco Rubio coincide com uma agenda política importante em Washington. O secretário de Estado se reuniu com o senador brasileiro Flávio Bolsonaro.

Logo antes, o senador também havia se reunido com Donald Trump na Casa Branca, acompanhado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Fonte: Agência Brasil. 

 

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