sábado, 27 de junho de 2026

Mendonça vai comandar apuração sobre dinheiro de Vorcaro em Dark Horse

Inicialmente, o caso no STF estava com o ministro Alexandre de Moraes - Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Inicialmente, o caso no STF estava com o ministro Alexandre de Moraes - Foto: Nelson Jr./SCO/STF

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu que o ministro André Mendonça será o relator oficial do novo pedido de investigação.

O magistrado analisará os repasses financeiros realizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A escolha se deu pelo fato de o ministro já conduzir o caso Master na Suprema Corte. Dessa forma, o presidente do tribunal fixou a competência jurídica para evitar conflitos de relatoria interna.

Portanto, o processo ganha celeridade com a centralização das denúncias sob o comando do mesmo julgador. Inclusive, o caso chegou ao tribunal máximo do país após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a abertura de uma investigação formal.

O parlamentar baseou sua petição no pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que atua como pré-candidato à presidência da República, para custear o longa-metragem.

A representação política acusa a família do ex-mandatário de utilizar influências econômicas para alavancar a produção audiovisual. De fato, a denúncia gerou forte repercussão nos bastidores do Congresso Nacional e tensionou a relação entre os blocos partidários.

O STF passa a monitorar de perto as movimentações financeiras da campanha.

 

Tramitação interna e parecer da PGR

As movimentações internas começaram quando Lindbergh enviou originalmente o pedido de investigação ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

O deputado considerava que existia uma ligação direta entre o financiamento do filme e as condutas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro para fomentar o tarifaço contra o Brasil.

Os relatórios da polícia apontam que Eduardo atua diretamente como um dos produtores-executivos da obra cinematográfica.

A oposição tentava unificar os inquéritos para demonstrar a existência de uma suposta rede de financiamento ilegal.

O protocolo inicial buscava centralizar as acusações em uma única linha de investigação. O ministro Moraes já atua como o relator oficial do caso que envolve Eduardo, o qual sofreu uma condenação recente na semana passada.

Os juízes aplicaram uma pena de quatro anos e dois meses de prisão ao ex-parlamentar pelo crime de coação no curso do processo. Embora a defesa conteste a decisão, o histórico judicial pesou na tentativa de manter os novos fatos sob a tutela do mesmo magistrado.

A condenação anterior serviu como base argumentativa para os advogados de acusação interligarem as ações.

O andamento desse processo específico influenciou diretamente o rito de distribuição da nova denúncia.

Contudo, o ministro Moraes pediu um parecer técnico da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de tomar qualquer decisão sobre a competência do caso.

Os procuradores federais analisaram os autos e entenderam que a denúncia deve seguir obrigatoriamente para o gabinete de Mendonça.

Embora a acusação mirasse os parlamentares, o órgão ministerial destacou que a presença de Vorcaro atrai a relatoria preventiva do outro ministro.

A manifestação da PGR buscou organizar o fluxo processual de acordo com as regras internas do tribunal. Por fim, o parecer serviu como guia definitivo para o desfecho da divisão do trabalho.

Coube exclusivamente ao presidente do STF dar a palavra final sobre o impasse e fixar André Mendonça na condução da relatoria.

O despacho de Fachin encerrou as discussões técnicas sobre qual gabinete deveria coordenar as futuras diligências policiais. Igualmente, o presidente validou o argumento da procuradoria e determinou a remessa imediata de todos os documentos anexados.

O Judiciário organiza suas forças para apurar as supostas fraudes sem gerar nulidades processuais no futuro. Dessa forma, a decisão monocrática pacifica a tramitação da matéria e inicia a fase de coleta de provas.

 

Divulgação do caso e defesa dos envolvidos

O projeto cinematográfico Dark Horse, que retrata a vida política de Bolsonaro, ganhou destaque nacional após as revelações do site The Intercept.

O portal jornalístico revelou com exclusividade que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro diretamente a Vorcaro para financiar as gravações do filme.

Embora a produção estivesse em estágio inicial, o vazamento das mensagens apressou a reação das autoridades e dos partidos de oposição. Logo, a opinião pública passou a questionar a origem dos recursos utilizados na obra cultural.

O escândalo de mídia precipitou a enxurrada de pedidos de investigação na justiça.

Logo após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou veementemente as acusações.

O parlamentar afirmou publicamente que nunca combinou qualquer tipo de vantagem indevida com o banqueiro citado. Igualmente, a assessoria jurídica do político assegurou que todos os recursos destinados ao projeto possuem origem estritamente privada e lícita.

A defesa tenta desqualificar a denúncia de Lindbergh, classificando-a como uma clara perseguição eleitoral. Os investigados aguardam a manifestação oficial do novo relator para apresentar as justificativas formais. Fonte: Agência Brasil

 

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