quarta-feira, 24 de junho de 2026

Operação da Polícia Federal mira banco de Edir Macedo e bloqueia até R$ 670 milhões

Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, é dono do Banco Digimais - Foto: Facebook
Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, é dono do Banco Digimais - Foto: Facebook

 

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23/6) a Operação Miragem, que apura suspeitas de fraude na gestão do Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

A ação investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional e cumpre nove mandados de busca e apreensão em São Paulo.

A Justiça Federal autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e determinou o sequestro de bens de até R$ 670,3 milhões.

Mais de 50 policiais federais cumprem os mandados judiciais para desarticular o suposto esquema de fraude financeira. Além disso, os agentes identificaram o empresário Edir Macedo como o proprietário da instituição financeira, embora ele resida fora do Brasil e não tenha sofrido buscas.

As equipes cumprem as ordens de apreensão nas sedes das empresas e nas residências dos demais diretores do grupo. O expressivo bloqueio de capital visa garantir o ressarcimento dos cofres públicos e proteger os direitos dos correntistas lesados.

Os relatórios técnicos do Banco Central apontaram graves irregularidades na condução diária dos negócios da instituição digital. Logo, os investigadores apuram se os administradores do banco Digimais manipularam ativamente os balanços e os registros regulatórios obrigatórios.

Consequentemente, a diretoria executiva tentava esconder a real situação de insolvência e simular uma falsa saúde financeira perante os órgãos de fiscalização.

Os auditores suspeitam da supervalorização de ativos podres e da geração inteiramente artificial de receitas de centenas de milhões de reais. Assim, a farsa contábil mascarava um rombo estrutural bilionário e enganava o mercado investidor nacional.

 

Manipulação contábil e o histórico da instituição

Os agentes da Polícia Federal também apuram a inserção de dados falsos e fraudados nos sistemas oficiais do órgão regulador. Certamente, a denúncia aponta que os gestores utilizavam fundos de investimento estruturados para camuflar prejuízos crônicos e inflar o patrimônio líquido.

Os mandados de busca e apreensão miram os dirigentes do Digimais e empresários ligados à administração dessas aplicações financeiras suspeitas.

A instituição financeira, que iniciou as atividades em 1981 em Porto Alegre como Banco Renner, ainda não se manifestou publicamente. Dessa maneira, a corporação policial aguarda o depoimento dos advogados para anexar as justificativas ao inquérito.

O bispo Edir Macedo ingressou na sociedade como acionista minoritário em 2009 e assumiu o controle integral da empresa no ano de 2020. A nova gestão reformulou toda a marca e direcionou os serviços para o ambiente eletrônico com foco nas contas digitais.

Embora a defesa tente desvincular os donos das decisões diárias, os diretores responderão criminalmente por gestão fraudulenta e falsidade ideológica.

A lei prevê penas severas para quem realiza operações de crédito vedadas e destrói o patrimônio de terceiros no Sistema Financeiro Nacional. Por fim, o Ministério Público Federal analisará os computadores apreendidos para formalizar a denúncia na vara especializada.

 

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