domingo, 19 de julho de 2026

Morte de equipe da Band expõe precarização do jornalismo, diz Fenaj

Foto: jornalistassp/Instagram/Agência Brasil
Foto: jornalistassp/Instagram/Agência Brasil

 

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) afirmaram, em nota, que a morte de dois profissionais da Band expõe riscos do acúmulo de função e da precarização do jornalismo.

O repórter cinematográfico Rodrigo Lapa e a repórter Alice Ribeiro foram vítimas de um acidente na BR-381 nesta quarta-feira (15/4). Nesse sentido, o fato de o cinegrafista dirigir o veículo no momento da tragédia configura desvio de função na avaliação das entidades.

Dessa forma, a categoria denuncia a vulnerabilidade extrema de trabalhadores submetidos a jornadas exaustivas em 2026.

 

Detalhes do acidente e impacto social

As vítimas retornavam de uma pauta jornalística na Região Metropolitana de Belo Horizonte quando o carro colidiu na rodovia. Segundo as informações oficiais, Rodrigo faleceu ainda no local, enquanto Alice teve a morte cerebral confirmada na quinta-feira (16/4).

O falecimento precoce da repórter, que deixa um filho de apenas nove meses, gerou uma forte onda de comoção entre colegas e familiares. Inclusive, as entidades manifestaram profundo pesar e solidariedade, ressaltando que o episódio acende um alerta urgente sobre a segurança no setor.

A nota técnica destaca que os profissionais de imagem sofrem sobrecarga constante ao assumir tarefas que não lhes cabem. Nessa linha, a condução de veículos por repórteres cinematográficos amplia significativamente as chances de acidentes, especialmente em trechos perigosos e sob cansaço físico.

A precarização do jornalismo manifesta-se na redução drástica das equipes de apoio e na imposição da multifunção. Assim sendo, a busca por redução de custos nas empresas de comunicação compromete diretamente a integridade física dos trabalhadores.

 

Cobrança por fiscalização e medidas protetivas

Por outro lado, Fenaj e o SJPMG exigem a atuação imediata do Ministério Público do Trabalho (MPT) para investigar as condições laborais nas emissoras. De fato, a categoria cobra medidas rigorosas que garantam a presença de equipes completas, incluindo motoristas profissionais para as pautas externas.

Vale ressaltar que a defesa do jornalismo de qualidade depende intrinsecamente da valorização e da proteção de quem exerce a profissão diariamente. Afinal, a negligência com as normas de segurança do trabalho resulta em tragédias evitáveis que destroem famílias inteiras.

Quanto ao posicionamento da empresa, a Band ainda não se manifestou oficialmente sobre as críticas e as denúncias de acúmulo de função apresentadas pelas entidades. Nesse sentido, o espaço para a resposta da emissora permanece aberto junto aos órgãos de imprensa e à Agência Brasil.

O desfecho das investigações sobre os motivos do acidente será crucial para determinar as responsabilidades civis e trabalhistas envolvidas no caso. Inclusive, o movimento sindical promete intensificar a fiscalização em outras capitais para evitar que a multifunção continue sendo a regra.

Logo, a tragédia na BR-381 simboliza um momento crítico para a discussão sobre ética e segurança no jornalismo brasileiro em 2026. Nessa linha, a união entre os sindicatos busca pressionar as empresas a abandonarem práticas que coloquem o lucro acima da vida humana.

O debate sobre a jornada de trabalho dos jornalistas deve retornar à pauta prioritária do Congresso Nacional e do MPT.

Assim, espera-se que o sacrifício de Rodrigo e Alice sirva de base para mudanças profundas na regulamentação da atividade profissional em todo o país.

 

 

 

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