A Polícia Federal desarticulou um esquema de comercialização de emendas parlamentares que tratava o pagamento de propina como um “imposto” interno.
Primordialmente, o relatório enviado ao STF aponta o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) como um dos líderes da organização criminosa, informa Carlos Madeiro, do UOL.
Nesse sentido, as investigações revelam que o grupo movimentou cerca de R$ 800 milhões em recursos públicos entre 2020 e 2025.
Dessa forma, a PF busca estancar o desvio de verbas que deveriam financiar serviços essenciais nos municípios cearenses.
Movimentação financeira e indiciamento
Com efeito, empresas ligadas ao esquema registraram receitas de R$ 455,5 milhões apenas nos últimos dois anos. Segundo a PF, o grupo operava um suposto caixa dois estimado em R$ 54,6 milhões para irrigar atividades ilícitas.
Portanto, o parlamentar responderá pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica.
Inclusive, Júnior Mano nega as irregularidades e classifica a investigação como um vazamento de motivação política para prejudicar sua pré-candidatura ao Senado.
A investigação começou em 2024 após denúncia da ex-prefeita de Canindé, Maria do Rozário, que relatou ameaças sofridas. O depoimento da ex-gestora detalhou que o grupo exigia a devolução de até 15% dos valores das emendas parlamentares.
O esquema garantia o retorno financeiro aos líderes mediante o compromisso de prefeitos beneficiados. Assim sendo, o Ministério Público e a PF aprofundam a análise de contratos municipais para identificar todos os envolvidos na fraude.
Liderança e foragidos do esquema
Por outro lado, a Polícia Federal aponta o empresário Carlos Alberto Queiroz Pereira (Bebeto do Choró) como articulador central ao lado do deputado.
De fato, Bebeto venceu a eleição para a prefeitura de Choró em 2024, mas sofreu cassação antes mesmo de assumir o cargo. Vale ressaltar que o empresário encontra-se foragido desde dezembro de 2025, dificultando o avanço de certas diligências.
Afinal, a conexão entre o poder político e empresas de fachada permitia a ocultação sistemática do patrimônio desviado.
Logo, o desdobramento judicial no STF definirá o futuro político dos indiciados e a recuperação dos valores subtraídos.








