quinta-feira, 23 de julho de 2026

Projeto de lei Antifacção que prevê até 30 anos de prisão para organizações criminosas é enviado ao Congresso

Legenda: A proposta inclui agravar a pena para lideranças e integrantes de organizações criminosas. - Foto: Ricardo Stuckert/PR
Legenda: A proposta inclui agravar a pena para lideranças e integrantes de organizações criminosas. - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz da Silva assinou, nesta sexta-feira (31 de outubro), o projeto de lei Antifacção para ser encaminhado ao Congresso Nacional ainda hoje em regime de urgência. –

A Secretaria de Comunicação do governo confirmou a informação à imprensa nesta tarde. O texto sofreu apenas “pequenos ajustes de redação”. O Ministério da Justiça e da Segurança Pública elaborou a proposta.

Com efeito, o Governo leva a proposta ao Legislativo após a Operação Contenção. Esta operação deixou $121$ mortos no Rio de Janeiro.

Conforme Ricardo Lewandowski havia informado, a proposta inclui o agravamento da pena para líderes de facções. A pena também atinge integrantes de organizações criminosas.

Dessa forma, os condenados por “organização criminosa qualificada” podem receber $30$ anos de prisão. Este passaria a ser um novo tipo penal.

Além disso, o texto prevê a criação de um banco de dados nacional. O banco terá um catálogo de informações sobre as facções. O objetivo é reunir dados estratégicos para investigação e rastreamento.

Outro ponto é adotar ações para diminuir os recursos financeiros das facções de maneira mais rápida.

Um exemplo seria a apreensão de bens, direitos ou valores do investigado, inclusive durante o curso do inquérito ou quando houver suspeita de que sejam produtos ou instrumento de prática de crimes.

Infiltração

Outra ação prevista pela proposta é a de infiltração de policiais e colaboradores na organização criminosa durante a investigação e até a possibilidade de criar pessoas jurídicas fictícias para facilitar a infiltração na organização criminosa

O projeto de lei ainda apresenta outra possibilidade, durante a investigação, ao autorizar o monitoramento dos encontros realizados entre presos provisórios ou condenados integrantes de organização criminosas

Penas de prisão

A proposta defende o aumento de pena para a organização criminosa simples. A pena passaria de 3 a 8 anos de prisão para 5 a 10 anos.

Além disso, o projeto prevê agravamento ainda maior das penas. O aumento varia de dois terços ao dobro nos casos de “organização criminosa qualificada”.

Entre os exemplos dessa característica, está comprovado o aliciamento de criança ou adolescente. Isto inclui o envolvimento deles no crime. A qualificação também ocorre quando a ação envolver um funcionário público. Outra “qualificação” ocorre no exercício de domínio territorial ou prisional pela organização.

Há ainda situações que agravam a pena. Isto acontece no uso de arma de fogo restrita ou proibida. O agravamento também se aplica se houver morte ou lesão de agente de segurança pública. Portanto, o projeto considera hediondo o crime de organização criminosa qualificada. Assim, o crime torna-se inafiançável.

Domínio territorial
O domínio territorial pelo crime organizado ocorre, conforme exemplifica o ministro da Justiça, em comunidades dominadas por facções, o que deixa os moradores vulneráveis.

Banco de dados

Em relação ao banco de dados, a intenção é ter o máximo de detalhes, inclusive até o DNA das pessoas envolvidas com o crime organizado.

Tramitação rápida

O presidente Lula usou as redes sociais para defender a proposta. “O projeto cria mecanismos que aumentam o poder do Estado e das forças policiais para investigar e asfixiar financeiramente as facções”, explicou o presidente.

Lula entende que a proposta do Executivo garante instrumentos que blindam os órgãos públicos da atuação de membros desse tipo de organizações criminosas.

Ele aproveitou para argumentar também a favor da PEC da Segurança Pública, enviada ao Congresso em abril, em vista da possibilidade de ações integradas entre os órgãos federais, estaduais e municipais no combate aos criminosos.

“As facções só serão derrotadas com o esforço conjunto de todas as esferas de poder. Diferenças políticas não podem ser pretexto para que deixemos de avançar”.

Ele pediu ao Congresso que a tramitação seja rápida dos projetos. “As famílias brasileiras merecem essa dedicação”, finalizou o presidente. Fonte: Agência Brasil. 

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