Ponto a ponto, 15 mulheres de Alto Alegre, comunidade Quilombola, em Horizonte, bordam sua história. Num pedaço de pano, através do bordado, elas fortalecem suas identidades, memórias, ancestralidade e cultura. E foi através do Coletivo Bordando Resistência: Bordadeiras de Alto Alegre, projeto apoiado pela Prefeitura de Horizonte, que elas conquistaram reconhecimento internacional através do Prêmio Cidades Educadoras 2022. As duas outras cidades selecionadas foram Barcelona, na Espanha, e Loures, na França.
A cerimônia de premiação acontecerá no dia 28 de outubro, às 13h, em Andong, República da Coreia do Sul, durante o Congresso Internacional de Cidades Educadoras 2022.
O Prêmio faz parte da Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE). Sem fins lucrativos, a AICE é formada por governos locais de todo o mundo, comprometidos com a educação como ferramenta de transformação social, que promove o intercâmbio de ideias, reflexões e boas práticas. Horizonte faz parte da Associação, sendo reconhecida, portanto, como Cidade Educadora desde 2016.
“É um compromisso da nossa gestão valorizar a educação de forma ampla e democrática. Por isso, é uma área extremamente atuante em todo o município. A premiação ao Coletivo Bordando Resistência nos deixa ainda mais orgulhosos desse projeto e mais certos de que a educação é o melhor caminho para o pleno desenvolvimento dos cidadãos”, destaca o prefeito Nezinho Farias.
Bordar é um ato Político
Com o objetivo de promover um espaço de diálogo com mulheres negras e quilombolas, nasceu, em 2017, o Coletivo Bordando Resistência. A ideia partiu da socióloga e educadora Cássia Enéas, secretária de Educação de Horizonte. O projeto abraça desde as crianças de 03 anos às matriarcas de 85 anos, e tem foco no reconhecimento da cultura ancestral e identidade para fortalecimento da autonomia de gênero, defesa de direitos e geração de renda.
Através do Coletivo, são realizadas oficinas de bordado, rodas de conversas, palestras, fóruns e outras formas de escuta e participação popular. O artesanato, em especial o bordado, é o pano de fundo para falar de cultura, pertencimento, das raízes negras, do empoderamento da mulher e da sua participação nos espaços sociais e políticos.
“A partir das tramas do tecido, uma história de resistência e resiliência vem sendo contada e vivida coletivamente. Esse Prêmio é de extrema importância, um reconhecimento à história, ancestralidade e cultura do povo quilombola. No momento em que o Coletivo nasceu, passou a trazer uma reflexão sobre as questões do povo preto e do papel da mulher preta na sociedade. A premiação atesta que a cultura quilombola tem sua importância”, destaca.
Orgulho e valorização
Além disso, para a secretária de Educação, o prêmio reforça a todos o valor agregado que é para o município ter uma comunidade tradicional. “É importante os moradores saberem que Horizonte é uma cidade educadora, que tem uma comunidade tradicional quilombola e que a história dessa comunidade é um aporte muito valioso para a cultura da cidade”, defende.
Hoje, as mulheres que formam o coletivo já interiorizaram a importância desse projeto e a grandeza que ele representa, tanto pela questão cultural, mas também como uma fonte de renda para as suas famílias. O prêmio, segundo elas, acabou revelando que muitas pessoas da comunidade não conheciam o trabalho realizado pelo Coletivo, ajudando, então, a divulgar esse projeto.
Sobre o Prêmio
O Prêmio Cidades Educadoras tem o objetivo de reconhecer e dar visibilidade internacional ao trabalho que as Cidades Educadoras realizam, assim como destacar boas práticas que sirvam de inspiração para outras cidades na construção de ambientes mais educadores.
Fonte: PMH.







