Texto atualizado em 03/07/26 às 09:53
A demissão de um médico de saúde mental pela Prefeitura de Pindoretama, através da Secretaria da Saúde, está repercutindo negativamente no município, principalmente entre as mães e pais de crianças atípicas. A demissão ocorreu no dia 29/6.
O médico prestava serviços no Centro de Atenção Psicossocial 1 (CAPS) há um ano e seis meses, sendo bastante querido e respeitado pela comunidade, como pode ser observado no vídeo ao final da matéria.
O motivo da demissão teria sido a presença do médico Bruno Mercado, no Instituto da Natureza, que tem como presidente Raison Pinheiro, crítico da administração do prefeito Dedé Soldado. O médico teria sido convidado para fazer uma palestra sobre saúde mental.
Atendimento gratuito
O instituto é uma clínica que atende pessoas com deficiência e tem um trabalho de educação ambiental no município.
Um dos objetivos é o atendimento gratuito de crianças atípicas de Pindoretama, que tem atualmente, aproximadamente, 700 crianças com laudo médico atestando a situação clínica desses menores de idade. Mas a “imensa maioria dessas crianças não tem atendimento”, relata Pinheiro.
Além da falta de atendimento, Pinheiro denuncia a falta de medicação, afirmando que é “comum as mães irem em busca dos remédios na distribuição gratuita que o governo federal envia verba, e aqui não tem remédio”.
Outra situação séria constatada por Pinheiro é a demora nos atendimentos que pode chegar de dois a três anos, comprometendo todo o tratamento clínico das crianças atípicas, podendo causar problemas irreversíveis.
Reivindicar direitos
Diante desse quadro, Pinheiro disse que começou a fazer um trabalho de orientação das mães para que reivindicam seus direitos e, se necessário, judicializar os casos. Isso, no seu entendimento, “incomodou” a gestão municipal.
O ponto crítico foi o fechamento do CAPS 1 pela Prefeitura, proibindo a realização da festa junina das crianças atípicas, marcada para a manhã de segunda-feira, 29/6.
A comunidade, no entanto, improvisou a festa junina na rua, que foi interditada por populares, bem como transformou a festa em protesto contra a gestão municipal.
Em requerimento do deputado estadual Lucinildo Frota, a Assembleia Legislativa está solicitando explicações da Prefeitura sobre a demissão do médico.
Entre os pontos colocados pelo parlamentar, estão a “motivação formal” da demissão, a “continuidade do serviço” e o “impacto no atendimento”, ou seja, quantas crianças estavam sendo atendidas pelo médico e agora estão desamparadas.
Pessoa apaziguadora
Em resposta ao contato do Ceará Leste, o médico Bruno Mercado disse lamentar o ocorrido, que não foi apresentada nenhuma falha técnica ou profissional no seu trabalho, não foi feita nenhuma conversa ou apresentado aviso prévio, o que considerou um desrespeito para com sua pessoa e profissão.
Disse que em nenhum momento se posicionou ou fez oposição à gestão municipal, até porque abraçou a causa autista, o que considera mais importante no momento. “Sou uma pessoa apaziguadora. Acho que a gente precisa de união e não de conflito”.
O Ceará Leste fez contato com a Prefeitura, através da Assessoria de Comunicação, mas até a publicação da matéria não obteve retorno. O espaço está aberto para a manifestação da gestão municipal.








