Tasso Jereissati (PSDB-CE) fez, nesta terça-feira (6/12), seu discurso de despedida do Senado. O parlamentar, cujo mandato se encerra no início de 2023, não se candidatou a nenhum cargo nas últimas eleições. No pronunciamento, ele fez uma retrospectiva de seus mandatos e disse sobre o que espera do futuro do Brasil.
O senador lembrou de seu primeiro discurso na tribuna da Casa, em 2003, quando também comentou sobre o que esperava do futuro — com o início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agora reeleito para o terceiro mandato. O primeiro mandato de Tasso no Senado foi de 2003 a 2011. E o segundo mandato, iniciado em 2015, é o que se encerra agora.
— Naquele momento, pensava eu, consolidava-se a democracia no Brasil: um operário, sindicalista e nordestino, assumia a Presidência da República em clima de paz, de festa, sem que tivesse havido qualquer percalço. Quis o destino que essa minha despedida do Senado Federal fosse exatamente no momento em que Lula retorna ao poder, agora, após uma das eleições mais conturbadas da nossa história, em que não faltaram ataques à própria democracia.
Para Tasso, as últimas eleições trazem o alerta de que é preciso atenção contra ameaças autoritárias, ainda que surjam e se camuflem por dentro do próprio sistema democrático. O senador classificou a democracia como o bem mais precioso da sociedade brasileira.
Retrospectiva
O senador também fez uma retrospectiva da sua atuação no Senado. Ele disse ter feito nos seus anos de atuação na Casa, mais do que colegas, amigos.
— Aqui muito aprendi ao conviver com pessoas extraordinárias e completamente diferentes entre si em termos de história de vida, experiência, origem e pensamento. Ouvir, aprender e debater com esses homens e mulheres tão diversos, buscar entender as suas razões e argumentos me fez uma pessoa muito melhor; ensinamentos que carregarei comigo por toda a minha vida — declarou emocionado.
Ele disse ter buscado, em sua atuação parlamentar, garantir uma ação pública eficiente, eficaz e efetiva, fundamental para que as funções estatais de regulação e prestação de serviço se alinhassem com os objetivos da República. Para ele, o ritmo do processo legislativo e o tempo para decisões não pertencem aos parlamentares, que precisam ter humildade para reconhecer limitações e confiar no espírito público dos pares.
Entre as matérias das quais foi relator, Tasso destacou a Lei das Estatais, o Marco Legal do Saneamento e a Reforma da Previdência de 2019. Ele também citou projetos dos quais é autor, em temas como a regulação do mercado de crédito de carbono, o benefício universal infantil, a Lei de Responsabilidade Social, os contratos de impacto social, o mercado de águas, a avaliação de políticas públicas e subsídios e a sustentabilidade social.
Futuro
Para o senador, o Congresso que tomará posse no ano que vem terá imensos desafios a enfrentar, em um cenário internacional de incertezas, com o mundo se recuperando de choques de oferta e demanda causados pela pandemia, com a preocupação com energia, com pressões inflacionárias sobre os alimentos e com o conflito entre Rússia e Ucrânia.
— Não bastasse tal conturbado cenário, o Brasil tem suas próprias guerras a enfrentar, contra a fome, contra a miséria e contra a desigualdade, tudo isso sem descuidar da sustentabilidade das finanças públicas, origem e fim do desenvolvimento por meio de políticas públicas. Insisto: sem política fiscal, não há política social! — afirmou.
Homenagens
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, foi o primeiro a homenagear o colega, de quem destacou a decência, o equilíbrio e a sensatez. Para Pacheco, essas qualidades foram demonstradas ao longo de toda a vida pública de Tasso — que também foi governador do Ceará por dois mandatos. Pacheco disse esperar que este não seja o encerramento do ciclo político do senador.
História
Simone Tebet (MDB-MS) afirmou que Tasso Jereissati será lembrado para sempre ao lado de homens públicos como Ruy Barbosa, Juscelino Kubistchek, Teotônio Vilela e Afonso Arinos. Ela lembrou que o fato de o Senado ter, pela primeira vez, uma mulher na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) se deve a ele, que abriu mão da vaga. Fonte: Agência Senado








