Por Nizomar Falcão Bezerra*
No estado do Ceará, mais de 90% dos estabelecimentos agropecuários têm menos de 10 hectares (1 hectare equivale a um campo de futebol). De acordo com a Embrapa, é simplesmente impossível uma família, no semiárido brasileiro, ter qualidade de vida cultivando uma área tão pequena.
Para agravar este quadro, há que se considerar o nível de tecnologia adotado pela maioria dos agricultores cearenses, que é compatível com atividades rurais praticadas na década de 1950. Há que se fazer uma transição tecnológica, urgentemente, do século XX para o século XXI.
Estamos, comprovadamente, com um atraso de 50 anos. Esta é, com certeza, uma das causas da crescente elevação da extrema pobreza – e da miséria -, em nosso território. As políticas públicas de transferência de renda se revelaram incapazes de elevar o patamar dos agricultores e do seu núcleo familiar, embora tenha o seu valor, para travessias críticas e pontuais.Para superar essa condição temos dois caminhos: (i) promover um profundo reordenamento agrário ou (ii) investir em tecnologia e inovação.
O primeiro caso, todavia, é praticamente impossível de fazê-lo, em um regime democrático. Resta, portanto, inovar para mudar. Qualquer que seja o argumento em contrário é considerado, provavelmente inviável, em um cenário de mudanças climáticas. Parece que não há como fugir desse caminho.
As iniciativas de distribuição de terras, adotadas pelo Estado, nos últimos 20 anos, têm insistido nesse padrão de pequenas glebas, com a alegação de atender um maior número de agricultores, o que foi agravado pela necessidade de manutenção de áreas destinadas à preservação da flora e da fauna.
Por outro lado, está sendo menosprezada a total insustentabilidade econômica das atividades de sequeiro, em parcelas tão diminutas. Não está se atentando para o fato da necessidade imperiosa da introdução tecnológica, compatível com o tamanho da área e das atividades produtivas a serem implantadas, bem como, para os mecanismos de acesso aos mercados e a produção de produtos sustentáveis, fundamentais para a mudança de paradigma tecnológico nesses empreendimentos.
Este tem sido o caminho na maioria dos países que têm muitos agricultores e pouca terra, como alternativa para fortalecimento das cadeias produtivas, em busca de soluções para se produzir mais em menos tempo e em pequenas glebas de terra.
* Ph.D. – Nizomar Falcão Bezerra – Engenheiro Agrônomo. Ematerce, Associado da Assema – [email protected]






