domingo, 19 de julho de 2026

A pirataria no mar do Caribe e apreço aos vizinhos sul-americanos

US Navy/Divulgação/Ilustração.
US Navy/Divulgação/Ilustração.

 

Por Nelson Bessa

Conforme temos ressaltado no O POVO, o mundo enfrenta uma desordem. Assim, os direitos humanos e a soberania das nações estão expostos a ataques. Tais ataques são ditados por propósitos de rapina de recursos naturais. Esses ataques vêm de uma potência global em franco declínio. Esta potência usa ameaças protecionistas e intervenções armadas para fazer valer sua política externa. Especificamente, no caso do continente sul-americano, a velha “Doutrina Monroe” de 1823 ressuscita. Isto serve para justificar supostos direitos dos EUA de intervirem em países vizinhos.

 

Escala Militar no Caribe e o Risco de Guerra

De fato, os EUA mobilizaram sua frota de guerra no mar do Caribe, próximo à costa da Venezuela. Eles usam o pretexto de combater o narcotráfico. Entretanto, isso ocorre sem respaldo no Direito Internacional. Os EUA já bombardearam, inclusive, 20 embarcações de pesca, matando 80 pessoas.

Agora, por conseguinte, eles ameaçam invadir a Venezuela para derrubar o regime. Embora o tema esteja em debate na mídia internacional, ele está pouco presente em certos meios da elite brasileira. Tais setores parecem desconsiderar os riscos da escalada militar. O continente tem permanecido em paz desde 1935. Para o Brasil em particular, que compartilha uma fronteira de 2.200 km e possui um intercâmbio comercial anual de US$ 1,6 bilhão com a Venezuela, os riscos são significativos.

 

Pirataria na Geopolítica

Trata-se de manifestação de pura pirataria nas águas do Caribe. Isto ocorre porque a Geopolítica define pirataria como “o crime de saque, roubo ou aprisionamento de navios em alto mar, fora da jurisdição de qualquer país, usando lanchas rápidas e armas modernas, diferente da imagem histórica de corsários”.

Até então, esse tipo de crime ocorria quase despercebido. Isso acontecia em regiões como o Golfo da Guiné, o Sudeste Asiático e no Chifre da África.

 

A Atuação da Marinha dos EUA

No entanto, para espanto geral, essa prática criminosa transnacional se estende agora ao mar do Caribe. E, pior, é praticada sem pruridos pela Marinha de Guerra dos EUA. Isso inclui a recente apreensão de um navio petroleiro venezuelano e violações ao espaço aéreo do país.

 

Posição Brasileira e Advertência

O Brasil já se dispôs a intermediar uma saída diplomática para essa crise. O objetivo é eliminar o risco de guerra próximo à nossa fronteira amazônica. Contudo, muitos no Brasil parecem vibrar com a ameaça dos EUA à Venezuela. Alguns chegam, inclusive, a defender interferência similar no nosso país nas redes sociais.

O que preocupa é que eles desconsiderem os riscos de conclamar os EUA a interferirem em seus países. É como dar uma “carta branca” para eles invadirem toda vez que acharem necessário. Em suma, basta de desrespeito à soberania dos países sul-americanos. Portanto, tenhamos mais apreço para com a sorte de nossos vizinhos no continente.

 

José Nelson Bessa Maia,  Mestre em Economia e Doutor em Relações Internacionais pela UnB e ex-secretário de assuntos internacionais do Ceará- Foto: Reprodução. 

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