segunda-feira, 20 de julho de 2026

Ceará projeta exportar frutas e calçados em voos fretados por data centers

A ideia é utilizar os aviões que chegam ao Ceará com equipamentos tecnológicos - Foto: Divulgação.
A ideia é utilizar os aviões que chegam ao Ceará com equipamentos tecnológicos - Foto: Divulgação.

 

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), está consolidando uma estratégia para transformar a importação de tecnologia em uma alavanca para o agronegócio e a indústria local.

Para tanto, o foco principal está na otimização do frete internacional, visando garantir que o estado não seja apenas um receptor de carga, mas sim um exportador ágil.

 

A rota da tecnologia e o frete de retorno

A partir de 2027, o setor de exportação cearense experimentará um salto significativo com a operação da Omnia (braço logístico ligado a plataformas como o TikTok).

De acordo com as projeções, cerca de 15 cargueiros aéreos mensais virão da China diretamente para o Ceará, trazendo os equipamentos necessários para a construção do novo data center.

Atualmente, esses aviões chegam ao estado carregados e, sem um planejamento estratégico, retornariam vazios.

Por essa razão, o plano do Governo consiste em utilizar esse frete de retorno para escoar produtos perecíveis e manufaturados, transformando o que seria um custo logístico em uma oportunidade real para o interior do estado.

“Estamos planejando usar o frete de retorno para exportar melão, que é uma fruta altamente perecível, além de vestuário, calçados e flores. Isso é transformar tecnologia em oportunidade real para o povo cearense”, destaca o secretário da SDE, Fábio Feijó.

 

Infraestrutura bilionária na ZPE

O suporte para toda essa movimentação tecnológica reside na infraestrutura de dados.

O Ceará abrigará o maior Data Center da América Latina, que a iniciativa privada instalará na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) por meio de um investimento estimado em R$ 200 bilhões.

Ademais, dois grandes edifícios que somam quase 150 mil metros quadrados de área construída — sendo 75 mil m² cada — comporão a estrutura do complexo.

A megaestrutura terá uma capacidade de 200 megawatts de processamento de dados e operará com uma demanda total de 300 megawatts de energia.

Essa demanda reforça o Complexo do Pecém como um polo eletrointensivo consolidado dentro da cadeia logística que acompanha a economia digital global.

 

Conexão com o mercado internacional

A estratégia consiste em criar uma ponte direta entre as operadoras logísticas e os produtores de itens com alto valor agregado.

Desse modo, a meta principal é ocupar os porões das aeronaves com frutas premium, pescados finos, água de coco e castanhas, aproveitando a rapidez do modal aéreo para alcançar mercados exigentes em tempo recorde.

Por fim, o secretário Fábio Feijó reforça a importância do diálogo constante com o setor produtivo: “Os aviões chegam com equipamentos de alta tecnologia e nossa missão é fazer com que retornem levando o que o Ceará tem de melhor. É uma oportunidade única para exportarmos com rapidez e eficiência”, afirmou o titular da pasta.

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