domingo, 19 de julho de 2026

EUA: Diplomacia no Porrete

Oficial do Presidente Donald J. Trump, (Foto oficial da Casa Branca por Shealah Craighead)
Oficial do Presidente Donald J. Trump, (Foto oficial da Casa Branca por Shealah Craighead)

 

Por Acrísio Sena,

A cena internacional atravessa um tempo de escombros. Em ruínas, a ONU vai sendo esvaziada, enquanto os Estados Unidos reforçam, sem pudor, a velha tese do “xerife do mundo”. Sai o diálogo, entra o porrete. A diplomacia cede lugar à força bruta, política, econômica e, agora, também tecnológica.

O chamado “bang bang” tecnológico é mais uma peça desse tabuleiro. Sob o discurso da segurança e do interesse nacional, os EUA impõem barreiras, escolhem vencedores e perdedores e redefinem regras sem qualquer mediação multilateral. O recado é simples e direto: quem dita as normas já não é o consenso internacional, mas o poder concentrado.

Nesse processo, temas centrais vão sendo empurrados para o escanteio. Meio ambiente, direitos humanos, cooperação internacional e até a transição energética perdem prioridade. A agenda climática, que exige pactos globais e responsabilidades compartilhadas, torna-se refém de interesses imediatos. As regras da convivência pacífica entre as nações vão, literalmente, para o espaço.

O resultado é um mundo mais instável, desigual e perigoso. Quando o multilateralismo enfraquece, avança a lógica da imposição. Quando a ONU é deslegitimada, a lei do mais forte ocupa o vazio deixado.

Por isso, a luta pela democracia no planeta torna-se central. Não apenas como regime político interno, mas como princípio internacional de autodeterminação dos povos. Defender a soberania dos países, o direito ao desenvolvimento e a cooperação entre as nações é, hoje, uma tarefa humanitária urgente.

 

Acrísio Sena, Historiador

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