A renda real dos 10% mais pobres do Ceará registrou um crescimento expressivo de 40,6% acumulado entre 2022 e 2025.
Esse avanço econômico resultou em uma redução de 35% na proporção de cearenses que viviam na extrema pobreza ao longo do período. Além disso, o Ipece apresentou os dados detalhados durante um seminário realizado em Fortaleza nesta terça-feira (26/5).
O Enfoque Econômico nº 319 utilizou os microdados da PNAD Contínua do IBGE para subsidiar a análise.
Portanto, o estudo comprova uma melhora significativa nas condições de vida da população mais vulnerável do estado.
O levantamento aponta que a renda média real do estrato mais necessitado expandiu a uma taxa média de 12% ao ano. Logo, o rendimento individual desse grupo saltou de R$ 128 em 2022 para R$ 180 em 2025.
Esse ritmo de crescimento superou o dobro do registrado pela parcela dos 10% mais ricos, cuja renda avançou 4,9% ao ano. De fato, a classe do topo acumulou um ganho de 15,4% no mesmo triênio avaliado pelos pesquisadores.
O limite superior da classe dos mais vulneráveis subiu de R$ 227 para R$ 287, atingindo o menor nível da série histórica desde 2012, com apenas 9,4% da população nessa faixa em 2025.
Atualização da linha internacional do banco mundial
Os pesquisadores elaboraram o documento para compreender o cenário social cearense diante da nova metodologia adotada pelo Banco Mundial.
O órgão internacional atualizou a linha de corte da extrema pobreza com base nas taxas de Paridade do Poder de Compra (PPC).
A mudança de critério técnico elevou os indicadores estatísticos globais de vulnerabilidade, sem representar um agravamento real da miséria. Nesse contexto, o valor de referência diário passou de US$ 2,15 para US$ 3 por dia.
A nova métrica elevou o patamar de corte mensal de aproximadamente R$ 232 para R$ 280 por pessoa na moeda nacionalizada.
O analista Jimmy Oliveira esclarece que o Ceará manteve o declínio contínuo da miséria em ambas as métricas, retirando mais de 400 mil pessoas da extrema pobreza.
Mercado de trabalho e o programa Ceará sem fome
A reversão desse cenário de vulnerabilidade social vincula-se diretamente à forte recuperação do mercado de trabalho formal no Ceará.
O governador Elmano de Freitas destacou que o estado registrou um volume inédito de trabalhadores com carteira assinada superior aos beneficiários do Bolsa Família.
Embora as transferências federais deem suporte, o diretor-geral do Ipece, Alfredo Pessoa, ressaltou que as políticas públicas estaduais sustentaram o ganho real de renda.
O programa Ceará Sem Fome lidera a estratégia local ao integrar frentes de segurança alimentar, fomento ao emprego e saúde pública. Por fim, a iniciativa gerencia 1.300 cozinhas comunitárias ativas e garante alimentação regular em diversas regiões.







