sábado, 18 de julho de 2026

Meteorologia prevê mais de 60% de probabilidade do El Niño forte em outubro, novembro e dezembro

Para outubro, novembro e dezembro de 2027 a probabilidade de El Nino forte é de 90% - Foto: Divulgação
Para outubro, novembro e dezembro de 2027 a probabilidade de El Nino forte é de 90% - Foto: Divulgação

 

A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) emitiu uma nova nota técnica detalhando as anomalias climáticas globais.

O documento aborda o avanço acelerado do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial e projeta seus reflexos no estado.

O aquecimento das águas tropicais deve impactar o clima cearense nos próximos meses e, principalmente, durante a quadra chuvosa de 2027.

Dessa forma, as autoridades estaduais iniciam o planejamento de contingência com base no monitoramento contínuo realizado desde janeiro de 2026.

 

Probabilidades da NOAA e a dinâmica das ondas de Kelvin

Os meteorologistas cearenses confirmaram os sinais iniciais do fenômeno em relatórios técnicos divulgados em abril. Segundo os dados da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a agência climática dos Estados Unidos, o cenário inspira forte atenção.

Portanto, o órgão americano aponta mais de 60% de probabilidade de ocorrência de um El Niño forte no trimestre de outubro a dezembro de 2026.

Os modelos matemáticos indicam uma chance superior a 90% de permanência do fenômeno no trimestre seguinte, estendendo-se até janeiro de 2027.

O diretor técnico da Funceme, Francisco Vasconcelos Júnior, explica que o aquecimento altera a circulação dos ventos no Nordeste.

Nessa linha, episódios moderados ou fortes desse fenômeno provocam a redução drástica das precipitações e a elevação das temperaturas médias.

Os técnicos detectaram Ondas de Kelvin Oceânicas transportando águas quentes da Indonésia até a costa da América do Sul a 300 metros de profundidade.

Assim sendo, esse deslocamento subsuperficial consolida o bloqueio atmosférico que impede a formação de nuvens de chuva.

 

Calendário de impactos no segundo semestre e riscos hídricos

Quanto aos efeitos imediatos, as anomalias térmicas devem se manifestar de forma nítida entre os meses de setembro e novembro deste ano.

O El Niño severo favorecerá a redução acentuada da umidade relativa do ar e o ressecamento do solo cearense.

Vale ressaltar que o aumento da evapotranspiração acelerará a perda de volume útil nos reservatórios e açudes do interior.

O bloqueio atmosférico desvia as frentes frias, agravando o deficit hídrico crônico que historicamente castiga os produtores da agricultura de sequeiro.

Por outro lado, a Funceme esclarece que o comportamento do Oceano Atlântico Tropical também regulará a intensidade final da seca.

Nesse contexto, as previsões seguem em constante atualização, pois o comportamento das águas vizinhas pode atenuar ou intensificar o cenário. Portanto, os reflexos mais agudos no Ceará tendem a se concentrar entre os meses de fevereiro e maio de 2027, período da estação chuvosa oficial.

Os meses de março e abril exigirão monitoramento redobrado por coincidirem com o pico de atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

 

Incêndios florestais e áreas de vulnerabilidade no sertão

A nota técnica emite um alerta crítico sobre o incremento estatístico do risco de incêndios florestais nas zonas rurais.

A escassez de umidade eleva a inflamabilidade da matéria orgânica seca e acelera a velocidade de propagação do fogo na Caatinga.

As regiões do Sertão Central, dos Inhamuns e da bacia Jaguaribana demandarão ações preventivas imediatas da Defesa Civil.

Assim, o governo estadual foca no combate ao manejo inadequado do solo e às queimadas irregulares para evitar desastres ambientais de grande proporção em 2026.

 

 

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