quarta-feira, 10 de junho de 2026

Nunes Marques suspende divulgação de pesquisa por suspeita de prejudicar Flávio Bolsonaro

Flávio é o candidato do PL à presidência da República- Foto: Tânia Rêgo.
Flávio é o candidato do PL à presidência da República- Foto: Tânia Rêgo.

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu, nesta segunda-feira (8/6), a divulgação da pesquisa eleitoral AtlasIntel de número BR-06939/2026.

O levantamento estatístico trazia dados sobre a disputa para o cargo de presidente da República nas Eleições 2026. Nesse sentido, o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, assinou a decisão liminar e determinou a retirada imediata do material dos meios de comunicação.

A justiça eleitoral barra a propagação dos dados até que o plenário do tribunal analise o mérito da metodologia em 2026.

 

Pedido do PL e indícios de indução ao eleitor

O ministro atendeu a um pedido do Partido Liberal (PL), que contestou a imparcialidade do questionário aplicado aos entrevistados.

Segundo a argumentação jurídica, a empresa estruturou as perguntas para induzir respostas negativas e prejudicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Portanto, o magistrado considerou, em análise preliminar, que o uso de áudios de investigações criminais durante as entrevistas contaminou o resultado do estudo.

A decisão proíbe expressamente a manutenção, a republicação ou o impulsionamento do conteúdo nos canais oficiais da empresa.

Nunes Marques ressaltou que a concessão da liminar não trará prejuízos caso os técnicos comprovem a regularidade metodológica posteriormente.

Nessa linha, a comparação com outros questionários registrados pela mesma empresa revelou discrepâncias significativas no padrão de abordagem dos eleitores.

A decisão baseia-se em um juízo de cognição sumária que identifica indícios relevantes de comprometimento estatístico. Assim sendo, a Corte Eleitoral age preventivamente para evitar o impacto de dados viciados no xadrez político nacional.

 

Entrevista à CNN e quebra de padrão em relação a outros estudos

Quanto às provas do viés, o presidente do TSE relembrou uma entrevista recente do próprio CEO da AtlasIntel à rede CNN no dia 19 de maio.

O executivo reconheceu publicamente a carga política do conteúdo submetido e previu o consequente desgaste eleitoral do pré-candidato do PL.

Vale ressaltar que o ministro utilizou essa declaração para fundamentar a tese de que a empresa extrapolou os limites da aferição científica. Afinal, o questionário operou mais como uma ferramenta de fixação de narrativa do que como um termômetro neutro da opinião pública.

O cruzamento de dados realizado pelo tribunal apontou um desvio de comportamento metodológico inédito por parte do instituto. Nesse contexto, outras 27 pesquisas anteriores feitas pela AtlasIntel não apresentavam perguntas semelhantes nem veiculavam arquivos de áudio aos participantes.

O ministro Kassio Nunes Marques determinou que a empresa apresente uma documentação técnica complementar justificando a inovação no modelo de entrevista.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) recebeu o prazo de 24 horas para emitir o seu parecer oficial sobre o caso.

A suspensão da pesquisa acirra os bastidores jurídicos entre as principais coligações presidenciais nesta semana de junho de 2026.

O referendo da liminar pelo colegiado do TSE ditará as regras de conduta para os demais institutos de monitoramento. Consequentemente, os partidos políticos devem redobrar a vigilância sobre as metodologias de amostragem digital aplicadas nas redes sociais.

O tribunal encerra o expediente reafirmando que a higidez das pesquisas constitui um pilar inalienável para a lisura e a legitimidade do processo democrático.

 

 

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