quinta-feira, 2 de julho de 2026

Operários escravizados que usavam camisa da seleção são resgatados em Aquiraz

Trabalhadores resgatados de obra no Ceará usavam camisa da seleção brasileira - Foto: Inspeção do Trabalho.
Trabalhadores resgatados de obra no Ceará usavam camisa da seleção brasileira - Foto: Inspeção do Trabalho.

 

Por Leonardo Sakamoto e Diego Junqueira, do Repórter Brasil 

Uma operação resgatou 26 trabalhadores em condições análogas às de escravo em um canteiro de obras de um condomínio residencial em Aquiraz. Alguns deles usavam cópias da camisa amarela da seleção brasileira de futebol com logomarcas do empregador estampadas. A operação começou no dia 23 de junho e terminou nesta terça-feira, 30/30, com o pagamento das vítimas.

Cerca de 100 casas estão sendo erguidas no empreendimento, um condomínio horizontal. Coordenada por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, a ação contou com a participação do Ministério Público do Trabalho, da Polícia Federal e da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Ceará.

A operação responsabilizou a empresa SMN Steel Montagens do Nordeste. Segundo a fiscalização, ela prestava serviço para a Dinâmica Empreendimentos e Soluções e a Ágora Incorporações. A reportagem pediu uma posição das três empresas, por mensagem, e-mail e telefone, mas não conseguiu resposta até o fechamento deste texto. O espaço está aberto para elas.

“As condições de trabalho e alojamento eram degradantes. Alguns locais para habitação eram improvisados e não possuíam acesso a banheiro ou água. Além disso, o calor nos locais de pernoite era demasiado, o que pode causar danos à saúde dos trabalhadores, os quais já trabalhavam a céu aberto durante o dia”, afirmou à coluna o auditor fiscal do trabalho Francisco Pacífico, coordenador da operação.

A fiscalização também identificou situações de grave e iminente risco em máquinas e nos andaimes da obra, que levaram à sua interdição.

Os trabalhadores foram recrutados nos municípios de Marco, Massapê, Beberibe, Amontada e Fortaleza, todos no Ceará, e levados até a região da obra, onde passaram a depender integralmente da estrutura fornecida pela empresa para moradia, alimentação e permanência no local.

Com a fiscalização, eles receberam dos direitos trabalhistas devidos e foram inscritos no seguro-desemprego especial para resgatados da escravidão, além de contarem com atendimento pela rede de assistência social. Foi pago um total de cerca de R$ 225 mil em verbas rescisórias. Danos morais individuais estão sendo negociados pelo Ministério Público do Trabalho para indenização das vítimas.

 

 

 

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