Por Kyko Barros, do Gazeta Litorânea
Há um instante curioso entre o ano velho e o ano novo. Não dura mais que alguns segundos, mas carrega o peso de doze meses inteiros. É quando o relógio hesita, o coração acelera e a gente, quase sem perceber, faz um balanço silencioso da própria vida. Nesse intervalo invisível, o que foi se despede e o que será ensaia o primeiro passo.
O ano velho vai embora cansado. Traz marcas, aprendizados, cicatrizes e também pequenas vitórias que, às vezes, só reconhecemos quando ele já está de malas prontas. Ele não sai em silêncio: deixa ecos, memórias, risos, despedidas. E nos lembra que sobrevivemos. Mesmo quando foi difícil, seguimos. Mesmo quando doeu, aprendemos.
O ano novo chega leve, quase tímido, mas cheio de promessas. Não garante nada, é verdade, mas oferece possibilidades. Vem carregado de expectativas, de listas mentais, de desejos que não ousamos dizer em voz alta. É nesse momento que as energias parecem se reorganizar, como se o universo respirasse fundo junto com a gente, pronto para recomeçar.








