domingo, 19 de julho de 2026

Entre o último minuto e o primeiro sonho

Quando o ano novo começa, ele não pede perfeição. Pede intenção. Imagem de apoio ilustrativo/IA.
Quando o ano novo começa, ele não pede perfeição. Pede intenção. Imagem de apoio ilustrativo/IA.

 

Por Kyko Barros, do Gazeta Litorânea 

Há um instante curioso entre o ano velho e o ano novo. Não dura mais que alguns segundos, mas carrega o peso de doze meses inteiros. É quando o relógio hesita, o coração acelera e a gente, quase sem perceber, faz um balanço silencioso da própria vida. Nesse intervalo invisível, o que foi se despede e o que será ensaia o primeiro passo.

O ano velho vai embora cansado. Traz marcas, aprendizados, cicatrizes e também pequenas vitórias que, às vezes, só reconhecemos quando ele já está de malas prontas. Ele não sai em silêncio: deixa ecos, memórias, risos, despedidas. E nos lembra que sobrevivemos. Mesmo quando foi difícil, seguimos. Mesmo quando doeu, aprendemos.

O ano novo chega leve, quase tímido, mas cheio de promessas. Não garante nada, é verdade, mas oferece possibilidades. Vem carregado de expectativas, de listas mentais, de desejos que não ousamos dizer em voz alta. É nesse momento que as energias parecem se reorganizar, como se o universo respirasse fundo junto com a gente, pronto para recomeçar.

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