quarta-feira, 17 de junho de 2026

Estudo da Funceme revela cicatrizes de queimadas que se estendem por mais de 1.800 km² no território cearense

Legenda: Resposta espectral de uma cicatriz de queimada (roxo) nas imagens de satélite em Icó (FOTO: Landsat)
Legenda: Resposta espectral de uma cicatriz de queimada (roxo) nas imagens de satélite em Icó (FOTO: Landsat)

Um estudo inédito da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) revelou a evolução das “cicatrizes de queimadas” no Ceará. A Fundação Cearense de Meteorologia divulgou o material neste mês de outubro. O estudo analisou o período entre 2020 e 2024.

As análises usaram imagens de satélite e a plataforma Google Earth Engine (GEE). Elas mostram que incêndios e queimadas continuam sendo as principais pressões sobre a Caatinga. Isso ocorre, sobretudo, entre setembro e dezembro. Afinal, este é o período mais seco do ano no estado.

Entre os anos analisados, 2023 foi o mais crítico. O estudo aponta 1.881,79 km de área queimada. Essa área é o dobro da média histórica do período. Ela representa mais que o triplo do registrado em 2021. Naquele ano, o total foi de 752,13 km.

2024 apresentou uma leve redução, com 1.380,26 km. Apesar disso, o ano manteve números superiores aos observados no início da série.

Municípios Afetados

O relatório também identificou os municípios com maiores áreas queimadas. Em 2022, o destaque foi Icó, com 55,98 km² de área queimada. Outros municípios importantes foram: Santa Quitéria (32,65  km) e Jaguaribe (28,52 km). Em seguida, aparecem Sobral (28,01 km) e Iguatu (24,57  km).

Além desses, Cariré, Orós, Barro, Granja e Acopiara também chamaram a atenção. Todos os municípios registraram valores acima de 15 km.

Causas

Segundo os pesquisadores, as condições de seca, a baixa umidade do ar e o uso do fogo em atividades agropecuárias estão entre os principais fatores que favorecem a propagação das chamas. Além dos impactos sobre a vegetação nativa, as queimadas causam perda de biodiversidade, emissão de gases de efeito estufa e prejuízos às comunidades rurais.

A análise também mostra forte sazonalidade: outubro e novembro concentram os maiores danos ambientais, respondendo por cerca de 75% das áreas queimadas em alguns anos.

Em 2023, o mês de novembro atingiu o recorde da série, com 749,65 km² queimados, enquanto dezembro de 2024 apresentou o maior valor já registrado para o mês, com 445,14 km². Setembro, embora menos expressivo, chegou a ultrapassar 220 km² queimados naquele mesmo 2023. 


Importância


Para os especialistas da Funceme, o mapeamento das cicatrizes de fogo ao longo dos cinco anos oferece subsídios fundamentais para políticas públicas de prevenção e combate às queimadas, bem como para ações de manejo sustentável em áreas mais vulneráveis do Ceará.

“As cicatrizes de queimadas são marcas visíveis do impacto humano e climático sobre o território. Entender onde e quando elas ocorrem é essencial para planejar estratégias de mitigação e evitar que essas áreas se tornem ainda mais degradadas”, destaca a equipe técnica responsável pelo estudo.

Apesar das variações entre os anos, o relatório reforça que a pressão do fogo sobre o semiárido cearense segue alta, exigindo atenção contínua e integração entre ciência, gestão ambiental e comunidades locais para frear os danos que continuam deixando novas cicatrizes no solo e na paisagem do estado. Fonte: Funceme.

 

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