quinta-feira, 4 de junho de 2026

Praias de Icapuí, Aracati, Fortim, Beberibe, Cascavel e Aquiraz têm 43 pontos de erosão crítica

Ações humanas, aliadas a fatores climáticos, têm intensificado o avanço do mar no litoral cearense, trazendo prejuízos sociais, ambientais e econômicos - Foto: Fernanda Barros/O POVO
Ações humanas, aliadas a fatores climáticos, têm intensificado o avanço do mar no litoral cearense, trazendo prejuízos sociais, ambientais e econômicos - Foto: Fernanda Barros/O POVO

No litoral cearense, a distância entre a urbanização e o mar tem ficado mais curta. Casas de veraneio fechadas, barracas abandonadas e edificações cercadas por pedras pintam a identidade visual de praias no Estado. Em algumas o cenário é quase de abandono, retrato forjado pela água que avança cada dia mais atrevida e feroz sobre a areia, comprometendo dinâmicas sociais e atividades econômicas.  Com informações da jornalista Gabriela Almeida, do O Povo. 

De acordo com o Plano de Ações de Contingência para Processos de Erosão Costeira do Ceará (PCEC), lançado em março recente, a unidade federativa registra erosão em aproximadamente 48% da sua linha de costa e tem 20 municípios costeiros (defrontes para o mar) com pontos sob erosão crítica.

Levantamento, inédito no Ceará, é um produto da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), no âmbito do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente (CCMA/Sema/Funcap), e analisou alterações que ocorreram no litoral cearense entre 2016-2024, monitorando um total de 533 trechos.

O processo identificou 48 pontos de erosão, e 214 trechos de erosão crítica, divididos em cidades da costa. Estudo considera tanto passagens que ficam localizadas em áreas de urbanização como aquelas que não estão perto de edificações, apontando que o litoral Oeste concentra o maior número de partes em erosão crítica.

Municípios com pontos de erosão crítica:

Icapuí: 8
Aracati: 9
Fortim: 4
Beberibe: 12
Cascavel: 4
Aquiraz: 6

Fortaleza: 3
Caucaia: 24
São Gonçalo do Amarante: 10
Paracuru: 13
Paraipaba: 4
Trairi: 9
Itapipoca: 13
Amontada: 13
Itarema: 9
Acaraú: 38
Cruz: 6
Jijoca de Jericoacoara: 10
Camocim: 15
Barroquinha: 4

O documento também analisa áreas onde o processo erosivo é intenso e exige intervenção imediata, classificando as mesmas como “núcleo de erosão”. Entre elas estão: Praia de Arpoeiras (Acaraú), Praia do Espraiado (Acaraú), Praia da Tabuba (Caucaia), Praia do Icaraí (Caucaia) e Praia do Iguape (Aquiraz).

Praias dentro de núcleos de erosão:

Praia de Arpoeiras (Acaraú)
Praia do Espraiado (Acaraú)
Praia da Baleia (Itapipoca)
Praia da Taíba (São Gonçalo do Amarante)
Praia da Tabuba (Caucaia)
Praia do Icaraí (Caucaia)
Praia do Iguape (Aquiraz)
Prainha do Canto Verde (Beberibe)
Praia Canoé/ Canto da Barra (Fortim)
Praia de Peroba (Icapuí)
Praia de Picos (Icapuí)

Já as praias de Tatajuba (Camocim), Jericoacoara (Jericoacoara), Lagoinha (Paraipaba), Balbino/Caponga Roseira (Cascavel) e Pontal do Maceió (Fortim), são inseridas dentro de “núcleos de atenção”, que  correspondem a áreas com processos erosivos em fases iniciais, mas que podem causar danos futuros.

Conforme Davis de Paula, do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente e que coordenou o estudo, o processo erosivo é um fenômeno natural que acontece quando o mar avança sobre a terra, sendo causado principalmente pela ação das ondas, das correntes marinhas e da elevação marítima.

Essa movimentação degrada praias, dunas e falésias. “Com o tempo, (a erosão) pode reduzir a faixa de areia e causar danos a casas, estradas, portos naturais, postes de iluminação e outras infraestruturas”, explica o profissional, que é ainda geógrafo da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Nesse cenário, contudo, o mar não é o “vilão”, pois esse processo tem se intensificado nos últimos anos devido aos efeitos das mudanças climáticas e de ações humanas que interrompem a reposição natural de areia, levando praias a perder mais do que a ganhar sedimentos. Davis cita como exemplo as construções muito próximas da linha da praia, a retirada da vegetação nativa e a degradação de sistemas naturais.

“Os espigões construídos entre a Praia da Leste-Oeste e a foz do rio Ceará influenciaram nos processos erosivos em Caucaia, mas não foram os únicos responsáveis por sua intensificação. As obras de engenharia costeira introduzem uma nova dinâmica no sistema litorâneo (…) Esses impactos, quando não antecipados por estudos integrados, tendem a se manifestar em forma de erosão em trechos vizinhos”, pontua.

Em Aquiraz, por exemplo, o cenário de degradação fica perceptível quando se anda nas proximidades ou pela longa faixa de areia que compreende as praias do Presídio, do Iguape e do Barro Preto.

Na região, casas de veraneio fechadas e edificações cercadas por engenhocas como sacos e pedras dão o tom de que natureza e ser humano “estão brigando por espaço”. Uma luta nem sempre justa e aparentemente longe de um fim. Por lá, não é difícil achar quem tenha uma história sobre essa disputa. Fonte: Jornal O Povo. 

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